- Sessão evocativa “Semearam-vos” ocorre no sábado, às 16.30, na Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, para relembrar a morte do padre Maximino Sousa e da estudante Maria de Lurdes, há cinquenta anos.
- O jurista José Machado Castro afirma ao Jornal de Notícias que estava “previsto um atentado em Fátima” às mãos de uma rede bombista ligada ao MDLP.
- O julgamento revelou que o atentado foi congeminado pelo Movimento Democrático de Libertação do Povo (MDLP), liderado por António de Spínola, e que houve pressão sobre testemunhas; não houve culpados.
- A sessão conta com a participação de José Manuel Pureza (Be), Manuel Pinto e Mário Durval (UDP), entre outros, incluindo o próprio Castro, que acompanhou o processo.
- No caso, Maximino Sousa, de 32 anos, leccionava em Vila Real; a bomba explodiu no regresso a casa, após Max deixar Maria de Lurdes, de 18 anos, na Cumieira; ambos morreram e os funerais ficaram marcados pelas tarjas “Não vos mataram, semearam-vos”.
Na sessão evocativa marcada para sábado, às 16h30, na Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, serão lembradas as mortes do padre Maximino Sousa e da estudante Maria de Lurdes, ocorridas há 50 anos. O evento, organizado pela Comissão de Homenagem, inclui intervenções de figuras ligadas à política e à comunicação social.
A homenagem conta com a participação de José Manuel Pureza, dirigente do Bloco de Esquerda, bem como do jornalista Manuel Pinto e de Mário Durval, presidente da UDP. Além disso, estará presente José Machado Castro, jurista que acompanhou o processo sem culpados, e Mário Brochado Coelho, advogado das famílias.
Contexto do julgamento e memória
O jurista recorda ao JN que a sentença indicou que o atentado terá sido congeminado pela rede MDLP, movimento de extrema-direita liderado por António de Spínola. Chegou a existir a ideia de um ataque em Fátima para o 13 de maio de 1976, com pressão sobre testemunhas durante o inquérito.
O padre Max Sousa, com 32 anos, lecionava no Liceu de Vila Real e, à noite, ensinava alfabetização na Casa da Cultura da Cumieira, em Santa Marta de Penaguião. Maria de Lurdes Ribeiro Correia, 18 anos, era militante da Juventude Escolar Católica e acompanhava o padre nas aulas.
Na noite do homicídio, o veículo Simca 1000 amarelo ficou junto à Casa da Cultura da Cumieira, onde Max lecionava. A explosão ocorreu durante o intervalo de três horas de aula. Maria de Lurdes voltava para Vila Real após deixar o namorado de Lurdes em casa.
O casal seguiu para a residência que partilhava, na mesma moradia da irmã de Maria de Lurdes. Ao regressar, o carro explodiu perto da residência, resultando na morte imediata de Maria de Lurdes e no falecimento de Max ainda no hospital. A memória das vítimas persiste em tarjas que diziam: não vos mataram, semearam-vos.
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