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Recusa da EDP em pagar impostos de barragens preocupa Torre de Moncorvo

Autarquia de Torre de Moncorvo exige cobrança de 335 milhões em impostos pela venda de barragens, enquanto EDP assegura defesa em tribunal e não paga

EDP
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  • Torre de Moncorvo expressou nesta quarta-feira preocupação com a posição da EDP de recusar o pagamento de 335,2 milhões de euros em impostos relacionados à venda de seis barragens do Douro e Sabor.
  • A AT (Autoridade Tributária) tinha indicado, no final de outubro de 2025, que o Estado tinha direito a cobrar esses montantes, resultado de uma venda de barragens considerada sujeita a impostos.
  • A EDP afirmou que vai recorrer a tribunal e que não irá pagar até haver decisão judicial, segundo informações que ganharam destaque na imprensa.
  • O presidente da Câmara Municipal, José Meneses, pediu à AT que atue com firmeza e rapidez, defendendo o direito fiscal dos municípios da região e o retorno económico esperado.
  • O município reforçou que o tema ultrapassa questões administrativas e pediu ao Governo que acompanhe o processo, destacando a obrigação de distribuir de forma justa a riqueza gerada pelas infraestruturas, incluindo as barragens no Baixo Sabor e no Feiticeiro.

O município de Torre de Moncorvo expressou nesta quarta-feira a sua preocupação com a recusa da EDP em pagar 335,2 milhões de euros em impostos relativos à venda de seis barragens no Douro e Sabor. A posição envolve a Autoridade Tributária (AT) e a justiça contenciosa que se avizinha, após notícia de que o Estado terá direito a estes montantes.

Segundo o jornal Expresso, a AT pretende cobrar os impostos devidos, enquanto a EDP anunciou que vai levar a questão para tribunal e não efetuará o pagamento até haver decisão judicial definitiva. O caso remonta a uma decisão do Ministério Público no final de outubro de 2025, que determinou a cobrança dos montantes, com a AT a ordenar o cumprimento da cobrança. A EDP afirmou ter cumprido as regras fiscais e prometeu defender os seus interesses.

Reação da Câmara de Torre de Moncorvo

Em comunicado enviado à Lusa, o presidente da Câmara Municipal, José Meneses, afirmou que a posição da EDP é incompreensível para as populações locais. O autarca salientou que o município vai continuar a exigir, por meios institucionais e legais, o pagamento do que considera ser um direito da região, sublinhando que não se trata de pedir favores, mas de justiça fiscal.

Meneses destacou que as barragens contribuíram para a riqueza e energia do país ao longo de décadas, e que as comunidades locais suportaram impactos na paisagem e na vida da região. O município pediu ainda maior envolvimento e informação aos municípios afetados durante o processo e apelo ao Governo para acompanhar o tema com responsabilidade.

As entidades locais destacam que existe um interesse público relevante na distribuição justa dos recursos gerados. A Câmara reforçou que a cobrança deve ser rigorosa e célere, assegurando o envolvimento das oito entidades da comunidade afetada e a transparência ao longo de todo o procedimento.

O município de Torre de Moncorvo recorda que, cinco anos após a venda de ativos envolvendo cerca de 2,2 mil milhões de euros, parte da receita deve reverter para os municípios abrangidos, incluindo os que acolheram as infraestruturas. A autarquia afirma que o processo não pode arrastar-se indefinidamente e que o contributo da região para o país deve ser reconhecido.

A nota enviada à Lusa reiterou o apelo ao AT para atuar com firmeza e rapidez, e ao Governo para acompanhar a matéria com a devida responsabilidade. O objetivo é assegurar que os montantes devidos sejam cobrados e que os municípios sejam devidamente informados ao longo do processo.

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