- Cavaco Silva defende uma força europeia de defesa separada da NATO, mas em cooperação com a Aliança, para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
- Afirma que a Europa não deve acobardar-se perante as exigências de Donald Trump, a quem classifica de “super errático”.
- Propõe reforçar o mercado de capitais europeu e emitir dívida a nível comunitário, além de aumentar acordos comerciais com países como Índia, Japão, México e Austrália.
- Elogia a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e diz confiar mais nela do que no Conselho Europeu, por defender os interesses comunitários.
- Sinaliza que a UE não deve excluir o alargamento da União à Ucrânia e defende reforçar despesa em defesa e segurança para promover crescimento económico e desenvolvimento tecnológico.
Aníbal Cavaco Silva, antigo Presidente da República, defendeu a criação de uma força europeia de defesa, separada da NATO mas em cooperação com a Aliança Atlântica. A proposta visa reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos, em especial perante Donald Trump, que classificou como super errático. A ideia foi apresentada numa entrevista à Renascença, divulgada na noite de quarta-feira.
Cavaco Silva argumenta que a Europa deve investir mais em defesa e construir uma identidade europeia de segurança, capaz de intervir em situações de interesse limitado dos Estados Unidos. O ex-chefe de Estado sublinha a importância de manter a cooperação com a NATO, sem sacrificar a autonomia estratégica europeia.
No desempenho institucional da UE, o ex-presidente destacou a Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, como mais estável do que o Conselho Europeu, dirigido por António Costa. Afirmou que os interesses comunitários devem prevalecer, especialmente em relação a Estados com históricos de regimes autoritários, que têm recebido apoio dentro da UE.
Cavaco Silva também defendeu avanços na emissão de dívida europeia como forma de financiar defesa e transição económica. Recordou que, durante a pandemia, houve consenso para criar instrumentos financeiros comuns e justificou a necessidade de ampliar acordos comerciais externos, citando relações com Índia, Japão, México e Austrália, como sinais de reforço externo da UE.
O antigo governante enfatizou que a atual Administração norte-americana, sob Trump, apresenta desafios para a credibilidade das relações transatlânticas e para a defesa dos valores e interesses europeus. Segundo ele, a Europa não deve recuar perante pressões comerciais, mantendo uma postura firme na negociação e na defesa dos seus interesses estratégicos.
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