- Mais de cem pessoas participaram numa marcha no Porto pelo regresso de um Museu da Resistência Antifascista ao espaço onde esteve a PIDE, na rua do Heroísmo.
- O percurso iniciou na rua do Heroísmo e seguiu até à rua Santa Catarina, com apelos ao Governo para implementar o museu no local.
- Teresa Lopes, da URAP, disse que o edifício acolheu a polícia política entre 1936 e 1974, onde milhares de homens e mulheres foram presos, torturados e humilhados.
- A URAP aponta resoluções e contactos com ministérios, e destaca que a última resolução, de 26 de setembro de 2025, recomenda deslocalizar o Museu Militar para abrir espaço ao museu no Porto.
- A associação defende a criação da Rede Nacional de Museus da Resistência e a participação da Câmara do Porto no processo, para que o museu tenha impacto regional.
Uma marcha no Porto reivindicou a instalação de um Museu da Resistência Antifascista no local que acolheu a antiga PIDE, polícia política do regime. A ação ocorreu neste sábado, com mais de 100 pessoas a percorrer entre o Museu Militar e a rua de Santa Catarina, sob chuva e depois de uma forte trovoada.
A iniciativa foi organizada pelo núcleo do Porto da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP). Segundo uma representante do conselho consultivo da URAP, o objetivo é que o Governo crie o museu no espaço da antiga PIDE, onde no passado houve prisões, interrogatórios e torturas.
A URAP recorda que o edifício da rua do Heroísmo acolheu a PIDE entre 1936 e 1974 e que, nesse período, milhares de pessoas passaram pela prisão. A organização afirma que mais de 7.600 presos sofreram abusos, com pelo menos dois casos de mortos, durante esse regime.
Teresa Lopes, outra porta-voz da URAP, explicou que o foco do movimento é o desvio do museu para o local, destacando já terem ocorrido reuniões com o Ministério da Defesa, Ministério da Cultura e resoluções da Assembleia da República. A última resolução, de setembro de 2025, recomenda a deslocalização do Museu Militar para instalar o Museu da Resistência Antifascista no Porto.
A URAP utiliza um protocolo assinado em 1 de setembro de 2015 com o Exército Português para justificar a responsabilidade da organização na gestão do espaço antigo de interrogatórios e celas. A associação também tem promovido visitas a escolas, acompanhadas por antigos presos políticos, para contextualizar o período.
Sobre o potencial espólio e as valências do futuro museu, Teresa Lopes citou exemplos de museus já existentes que retratam a história de indivíduos ligados ao Estado Novo, e enfatizou que o Porto tem uma relação estreita com quem foi alvo de perseguição, especialmente entre Coimbra e norte do país.
A responsável da URAP afirmou que a cidade poderia beneficiar com a presença do museu, visto o histórico envolvimento de habitantes do Porto com o período e com interrogatórios realizados na cidade. A rede de museus da resistência incluiria também instituições de Lisboa e Peniche.
De acordo com a URAP, a resolução mais recente, aprovada a 26 de setembro de 2025, recomenda ao Governo apoiar o projeto museológico em curso e estabelecer uma calendarização para a transferência do Museu Militar para o local proposto. A rede proposta visa articular entre o Aljube, Peniche e o futuro museu portuense.
A URAP acrescenta que, apesar de contatos com entidades públicas, não foram divulgadas ações concretas para cumprir a resolução. O grupo encerra o comunicado sem indicar novos passos imediatos.
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