- Partículas pigmentadas de plásticos suspensas no ar absorvem mais luz solar do que as incolores, potencialmente contribuindo para o aquecimento global.
- Um estudo na Nature Climate Change sugere que micro e nanoplásticos pigmentados podem ter um impacto de aquecimento maior do esperado.
- Os investigadores estimam que o efeito destas partículas possa chegar a cerca de um sexto do impacto da fuligem negra, com maior relevância em zonas oceânicas com muito lixo plástico.
- A pesquisa, liderada por uma equipa da Universidade de Fudan, em Shangai, combinou espectroscopia de alta resolução com simulações de transporte atmosférico.
- Especialistas ressaltam incertezas e a necessidade de mais dados sobre distribuição, concentração e envelhecimento, para melhorar os modelos climáticos.
Nanoplásticos pigmentados suspensos no ar podem aquecer o planeta, aponta um estudo publicado nesta segunda-feira na Nature Climate Change. Liderada pela Universidade de Fudan, a equipa avalia o impacto do chamado fator cor no aquecimento global.
Os investigadores analisaram microplásticos com menos de cinco milímetros e, em especial, partículas pigmentadas que se dispersam na atmosfera. A fragmentação de plásticos maiores gera nanoplásticos invisíveis a olho nu, presentes em várias regiões do globo.
Os resultados indicam que partículas pretas e coloridas absorvem mais luz solar do que as brancas, sugerindo um potencial de aquecimento anteriormente subestimado. A estimativa aponta para cerca de um sexto do impacto do carbono negro em média global.
Metodologia e desdobramentos
A equipa combinou espectroscopia electrónica de alta resolução com simulações de transporte atmosférico para entender o comportamento das partículas individuais. Os autores destacam que o efeito pode ser maior em áreas com elevada acumulação de lixo flutuante no oceano.
Os autores indicam que o contributo climático, embora pequeno a nível mundial, pode exceder o da fuligem em certas zonas oceânicas, como manchas de plástico no Pacífico Norte. O estudo ressalva incertezas e a necessidade de dados globais mais robustos.
Reação da comunidade científica
Especialistas reconhecem o interesse do estudo, porém apontam incertezas sobre a distribuição e impactos reais no aquecimento atmosférico. A consistência entre medições laboratoriais e condições reais ainda precisa ser estabelecida.
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