- O Governo apresentou o Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal (PACLIP 2026-2030), elaborado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) em articulação com Espanha, com metas vinculativas.
- O PACLIP organiza-se em dez eixos estratégicos, incluindo proteção legal, monitorização, conservação do habitat, redução da mortalidade, gestão genética, reintroduções, criação em cativeiro, prevenção de conflitos, pesquisa científica e articulação ibérica.
- Define objetivos rigorosos de mortalidade, com atropelamento abaixo de 15 por cento e limites por tipo de ameaça, e prevê emissores em plataformas interactivas para alertas em tempo real aos condutores.
- Propõe expansão territorial com criação de oito novos núcleos populacionais e uma área de reintrodução em Portugal até 2030, após avaliação de impactos em outros carnívoros, como o lobo-ibérico.
- Aborda conflitos com pecuária via intervenções rápidas, medidas de dissuasão e compensação, promove ciência cidadã e cria o Embaixador do Lince para promover a conservação e o envolvimento local.
O Governo apresentou o novo Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal (PACLIP 2026-2030), desenvolvido pelo ICNF em parceria com autoridades espanholas. O plano substitui o anterior, encerrado em 2020, e será apresentado na Ovibeja, com a presença da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho. O PACLIP integra a Estratégia Ibérica de Conservação do Lince-ibérico.
Segundo a versão preliminar, o documento introduz metas quantificadas com calendários, novas tecnologias de monitorização e uma gestão de ecossistema que envolve outros carnívoros ameaçados. A aquisição de mecanismos formais de resposta às comunidades locais também consta entre as inovações.
Conceção e adesão ibérica
O protocolo de apoio à continuidade do Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI) em Silves será assinado durante a apresentação. O PACLIP organiza-se em dez eixos estratégicos: proteção legal, monitorização, habitat, mortalidade, gestão genética, reintroduções, criação em cativeiro, prevenção de conflitos, investigação e articulação ibérica.
Mortalidade e monitorização
Entre as novidades, o plano fixa limites de mortalidade por tipo de ameaça, com o objetivo global abaixo de 18,3%. Atropelamentos devem ficar abaixo de 15%, agressões legais, armadilhas e venenos abaixo de 10%, doenças abaixo de 4% e infraestruturas não rodoviárias abaixo de 1,5%. Emissores em plataformas interativas devem alertar motoristas em tempo real.
Expansão territorial e genética
O PACLIP pretende criar oito novos núcleos populacionais e definir uma nova área de reintrodução até 2030, com seleção de localização até o final do LIFE Lynxconnect. Zonas potenciais incluem Serra da Malcata, Serra do Caldeirão e Monfurado, desde que exista disponibilidade de coelho-bravo e condições adequadas para a coexistência com outros carnívoros.
Conectividade genética
O plano prevê ligar Portugal a pelo menos duas populações em Espanha, mantendo a perda de heterozigotia abaixo de 5% por geração (cerca de cinco anos). A diversificação genética passa pela avaliação de impacto de reintroduções e por estratégias de cooperação transfronteiriça.
Conflitos com pecuária
Frente a ataques a animais domésticos, o PACLIP define intervenções rápidas para evitar aprendizagem associativa reforçada. Espera-se alcançar 90% de sucesso em intervenções após reportes de problemas, com soluções que vão além de cercas, incluindo dispositivos sonoros, iluminação com sensor de movimento e cães de guarda.
Financiamento e prevenção
A criação de mecanismos legais de compensação por danos até 2028, bem como o financiamento estatal para medidas preventivas, está prevista. Um protocolo de prevenção, já existente no LIFE Lynxconnect, será complementado por uma estratégia de resolução de conflitos (2028) e por um manual de boas práticas (2029).
Embaixadores e participação local
Cerca de 50% da área de presença estável do lince — estimada em 700 km² — deverá ficar sob acordos de custódia com proprietários. A iniciativa visa reconhecer contrapartidas aos agricultores, promover ciência cidadã e expandir a monitorização com plataformas participativas.
Turismo de natureza e diálogo
O PACLIP pretende aumentar em pelo menos 20% o turismo de natureza nas zonas onde o lince vive, com formação de uma bolsa de guias locais e a designação de Embaixador do Lince para promover a cooperação com Espanha e a visibilidade pública da espécie.
Críticas da sociedade civil
O plano responde a preocupações de organizações ambientais sobre atrasos na abertura de candidaturas de apoio a agricultores. Também aborda a accção sobre conservação de lobo-ibérico, exigindo avaliação de impacto antes de novas reintroduções de lince e promovendo estudos sobre interações predatórias.
Projetos transfronteiriços
O LIFE Lupi Lynx, com 3,5 milhões de euros, complementa as ações em curso, visando criar condições ecológicas e sociais para a recuperação conjunta do lince e do lobo-ibérico.
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