- Um ano após o apagão de 28 de abril de 2025, não há responsáveis identificados; os relatórios apontam causas multifactoriais sem culpados concretos.
- A Rede Eléctrica de Espanha (REE) critica as grandes empresas do setor — Iberdrola, Endesa e Naturgy — por incumprimento de controlo de tensão e desligamentos prematuros, sem assumir a responsabilidade pela falha.
- O primeiro-ministro Pedro Sánchez apontou oscilações em centrais fotovoltaicas como origem, enquanto o centro de controlo da REE é visto como peça central do problema; Governo e empresas trocam acusações.
- A Comissão Nacional do Mercado e da Concorrência (CNMC) aprovou medidas administrativas para abrir caminho a ações judiciais, com vinte processos sancionatórios contra várias instalações e empresas do setor.
- Em Portugal, a indemnização aos afetados depende de uma decisão da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos; estudo da AIP aponta prejuízos superiores a dois mil milhões de euros e responsabilização atribuída às redes REE e REN.
Um ano após o apagão de 28 de abril de 2025, a grande indisponibilidade de energia na Península Ibérica mantém-se sem responsáveis oficiais identificados. Governos e reguladores apontam para causas multifactoriais, sem atribuir culpados concretos.
Relatórios do Governo, da Entso-e e da CNMC convergem numa conclusão comum: o incidente decorreu de vários fatores, incluindo falhas de gestão da rede e de produção. As análises não definem quem deve responder pelo erro.
A REE (Red Eléctrica de España) criticou fortemente os principais operadores do setor — Iberdrola, Endesa e Naturgy — por incumprimento de controlo de tensão em centrais, segundo o relatório da própria Rede, apresentado em junho de 2025.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez chegou a falar em oscilações fortes em centrais fotovoltaicas no Sudoeste, atribuindo parte da culpa à energia renovável, ainda que reconhecesse investigações sobre operadores privados. As empresas negaram falhas dramáticas na gestão do sistema.
Desde então, diversas entidades mantêm o debate público, com o relatório da Entso-e a indicar uma combinação de fatores sem ligar o evento à atuação específica da REE. A CNMC adiou a divulgação do relatório final, aprovando medidas administrativas que permitem ação judicial pelos afetados.
No dia 17 de abril, foram abertos 20 processos sancionatórios: contra a Red Eléctrica por suposta violação de funções; 17 contra instalações de Endesa, Iberdrola, Naturgy; e ações contra a Repsol e a Bahía de Bizkaia Electricidad. A CNMC classificou as infrações como graves.
Imediatamente após o apagão, o custo da energia aumentou devido ao recurso a centrais de ciclo combinado pela REE, com valores diários superiores. As estimativas de custo adicional variam entre 516 milhões e 1,1 mil milhões de euros até ao final de 2025, segundo associações do setor.
O peso das responsabilidades permanece incerto. Processos judiciais já mobilizam parcerias entre clientes e consultores, com a Repsol, Moeve e seguradoras a moverem ações para compensação de perdas superiores a 2 mil milhões de euros em Portugal, segundo um inquérito da AIP.
A Comissão de Inquérito do Senado espanhol, dominada pelo Partido Popular, indicou recentemente o Governo espanhol como único responsável pelo apagão, alimentando o debate entre instituições e empresas sobre quem deve suportar os prejuízos.
E em Portugal?
A ministra Maria da Graça Carvalho informou que empresas portuguesas já podem pedir indemnizações pelo apagão ibérico, mas dependem de decisão da ERSE sobre a classificação do evento. Caso seja considerado extraordinário, as compensações podem ficar sujeitas a alterações.
A AIP apurou perdas superiores a 2 mil milhões de euros em 1710 empresas, com 93% a defenderem responsabilização e compensação por parte dos governos de Portugal e Espanha. A REE e a REN aparecem entre os principais apontados pelas empresas portuguesas.
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