- A União Europeia cortou uma subvenção de 2 milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação da Rússia na 61ª edição, inaugurada a 9 de maio.
- A Comissão Europeia informou que o corte é válido para os próximos três anos, com a Fundação da Bienal a ter 30 dias para justificar a participação russa desde a invasão da Ucrânia em 2022.
- O porta-voz Thomas Renier destacou que Bruxelas já tinha sinalizado a intenção de aplicar a medida, criticando a reabertura do pavilhão russo.
- A Bienal mantém que não apoia exclusões nem censuras, defendendo o espaço de diálogo e liberdade artística, enquanto a Rússia não participa desde 2019 e cedeu temporariamente o pavilhão à Bolívia em 2024.
- A decisão europeia reflete a visão da UE de que a cultura pode representar responsabilidade política, enquanto a Bienal sustenta o modelo de autonomia cultural frente a contextos conflitivos.
A União Europeia decidiu cortar uma subvenção de 2 milhões de euros à Bienal de Veneza por causa da participação da Rússia na 61ª edição da mostra de arte contemporânea, com inauguração prevista para 9 de maio. A EC comunicou a decisão na quinta-feira e informou que a Fundação Bienal tem 30 dias para justificar a participação russa desde o retorno à mostra, após a invasão da Ucrânia em 2022.
O porta-voz Thomas Renier reiterou a condenação da participação do pavilhão russo e explicou que o corte faz parte de uma linha de política externa de Bruxelas em relação a Moscovo. A Bienal, por sua vez, afirma que não aceita censura e mantém o diálogo e a liberdade artística como princípios.
Contexto histórico
A Rússia não participa na Bienal desde 2019; em 2022 muitos artistas se retiraram para protestar contra a guerra. Em 2024, o pavilhão russo não foi apresentado, tendo sido cedido temporariamente à Bolívia. O pavilhão nos Jardins Giardini é de posse russa desde 1914, o que complica quaisquer tentativas de exclusão formal segundo os estatutos da Bienal.
Repercussões e cenário político-cultural
Para a União Europeia, a participação russa é vista como uma tentativa de restaurar legitimidade cultural no atual conflito. A redução de fundos europeus pode afetar programas educativos, de investigação e projetos de infraestruturas da Bienal. A organização destaca que a cultura continua a ser um espaço de diálogo e liberdade artística.
A Bienal mantém, no entanto, o estatuto de maior plataforma internacional de arte contemporânea, com 99 países a presentar pavilhões este ano. A situação coloca o dilema entre autonomia cultural versus responsabilidade política na arena global.
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