- A primeira Cimeira Ecológica Regional (RES) da Ásia Central realiza-se em Astana, de hoje até sexta-feira, reunindo decisores para transformar compromissos climáticos em ações concretas.
- O tema central é a água, com foco em segurança hídrica e cooperação regional, numa região onde os impactos climáticos são intensos.
- O Mar de Aral, já seco, perdeu mais de 90% do volume desde a década de 1960; no norte do Aral, o volume de água subiu para 24,1 mil milhões de metros cúbicos desde 2023.
- O Mar Cáspio regista queda de cerca de dez centímetros por ano, o que representa riscos para a biodiversidade e para as rotas marítimas internacionais.
- O presidente Kassym-Jomart Tokayev sugeriu criar uma agência da ONU dedicada exclusivamente à água e prevê acordos que possam mobilizar mais de 1,5 mil milhões de euros em investimento verde para a região.
A Cimeira Ecológica Regional (RES) reúne pela primeira vez os governos da Ásia Central para discutir a crise hídrica e traçar um roteiro de ações climáticas concretas, promovendo cooperação regional. O encontro inicia hoje em Astana, Cazaquistão, e decorre até sexta-feira.
A iniciativa partiu do presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, que apresentou a ideia na ONU há três anos. Durante o ano passado, repetiu o convite na Terceira Conferência sobre Países em Desenvolvimento Sem Litoral, em Avaza, Turquemenistão. A agenda inclui mais de 60 sessões temáticas e eventos.
O tema central é a água, com foco na segurança hídrica da região. O Mar de Aral, que secou significativamente, é citado como símbolo de degradação ambiental. Em contrapartida, há sinais positivos no norte do Aral, com aumento de volume de água desde 2023, após intervenções do Cazaquistão em 2005.
A água e a cooperação regional
Dados do Banco Mundial apontam melhoria parcial no nível de água no Aral Norte, e melhorias são esperadas enquanto se mantém o monitoramento ambiental. A Cimeira também aborda o declínio do Mar Cáspio, com redução anual de água que pode afetar biodiversidade e rotas marítimas.
Tokayev participa de reuniões à margem da cimeira, visando a criação de uma agência da água sob chancela das Nações Unidas. A ideia foi apresentada em Ashgabat, no contexto de diálogo internacional sobre cooperação no setor hídrico.
Antes do evento, o presidente reuniu-se com a enviada especial da ONU para a Água, Retno Marsudi, para discutir um sistema de cooperação mais eficaz. O governo do Cazaquistão destaca a importância estratégica dos recursos hídricos para desenvolvimento sustentável e estabilidade regional.
Financiamento verde e impactos climáticos
A agenda expandiu-se para abarcar riscos climáticos que afetam a região, com temperaturas que sobem mais rápido que a média global. Estima-se que mais de 80 milhões de hectares estejam degradados, e cerca de 30% da população sofra com os impactos ambientais.
Espera-se que a declaração final da cimeira estabeleça prioridades de financiamento verde, apoio à adaptação e aceleração da implementação de tecnologias de baixo carbono. No caso do Cazaquistão, os acordos previstos devem canalizar mais de 1,5 mil milhões de euros em investimento.
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