- Durante o exercício Grand Quadriga 2026 em Seedorf, a 270.ª Companhia de Pioneiros Aerotransportados e o 31.º Regimento de Paraquedistas construíram, testaram e aperfeiçoaram drones FPV e de reconhecimento, em vez de apenas utilizá-los.
- Os drones foram criados com apoio do Cyber Innovation Hub da Bundeswehr, no âmbito do programa Spark Cells, com o objetivo de serem adaptáveis e reparáveis pela própria tropa.
- O Centro de Inovação e Hacking da Bundeswehr diz que os drones são um elemento determinante da guerra moderna, alterando reconhecimento, impacto e ciclos de decisão; os dados são considerados um recurso central, quase como munições.
- A mentalidade entre os soldados está a mudar: passam a ser co-desenvolvedores, capazes de compreender componentes, testar protótipos em simuladores e em condições reais, recorrendo também a impressoras 3D.
- O objetivo é modelos híbridos que complementem a indústria com desenvolvimentos descentralizados pelas tropas, mantendo limites para sistemas sensíveis; as Spark Cells atuam como interface entre tropas, tecnologia e startups.
Durante o exercício multinacional Grand Quadriga 2026, realizado em Seedorf, Baixa Saxónia, a 270ª Companhia de Pioneiros Aerotransportados e o 31.º Regimento de Paraquedistas foram além do treino convencional. Treinaram a utilização de drones, mas também a sua construção pelos próprios militares.
Os soldados desenvolveram, testaram e aperfeiçoaram drones de reconhecimento, com transmissão de dados em tempo real e drones FPV. O objetivo era identificar alvos e agir em segundos, através de operações controladas por vídeo e sensores. O projeto decorreu com apoio do Cyber Innovation Hub da Bundeswehr.
A iniciativa insere-se no âmbito do programa Spark Cells, criado para permitir adaptação e reparação independentes em caso de emergência. O CIHBw, antigo centro de inovação, coordena a participação de tropas, startups e empresas, acelerando protótipos para uso direto no terreno.
Spark Cells e a inovação no terreno
O CIHBw afirma que drones deixaram de ser acessórios para se tornarem elementos centrais na guerra moderna, influenciando reconhecimento, impacto e decisões. O inspetor do Exército, tenente-general Christian Freuding, descreve os dados como recurso central, quase como munições, que aceleram decisões.
Segundo Freuding, quem processa informações de forma rápida obtém vantagem estratégica. A cada mudança tecnológica, o soldado precisa de entender, questionar e, se necessário, aperfeiçoar os sistemas. O porta-voz do CIHBw reforça que o soldado atual é também co-desenvolvedor.
Treino prático e uso de tecnologia
Durante o exercício em Seedorf, as tropas treinaram a construção de drones FPV, a partir de componentes disponíveis, com impressoras 3D e peças eletrónicas. Protótipos foram criados, testados em simuladores e em condições reais, com melhoria contínua.
A abordagem visa reduzir dependências sem substituir a indústria. O objetivo é estabelecer modelos híbridos, em que sistemas centrais sejam complementados por desenvolvimentos descentralizados pelas próprias tropas. O CIHBw funciona como interface entre militares, tecnologia e startups.
Perspetivas para o futuro
O programa não visa apenas acelerar inovações, mas também transformar o conceito de equipas operacionais. O porta-voz enfatiza que a organização das ideias é crucial para o sucesso. As Spark Cells devem demonstrar que as ideias podem emergir de forças no terreno e ser integradas nos processos de aquisição.
O exercício consolidou uma mentalidade de desempenho independente, mantendo um equilíbrio entre autonomia e integração com padrões estabelecidos. A iniciativa destaca que o futuro da defesa passa pela rapidez na adaptação e pela cooperação entre tropas, tecnologia e indústria.
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