- O rio Leça nasce limpo em Santo Tirso e percorre quase cinquenta quilómetros até à foz, passando por quatro concelhos (Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos) e sendo monitorizado da nascente ao mar.
- O Corredor Verde do Rio Leça, criado há poucos anos, junta autarquias e especialistas para devolver saúde ao rio, com engenharia natural e monitorização em tempo real ao longo de todo o seu curso.
- Os principais problemas continuam a ser descargas clandestinas, águas residuais e resíduos industriais e urbanos; a poluição aumenta após chuvas, e a luta envolve recuperar o saneamento e as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
- No primeiro ciclo de intervenções, o projeto retira 250 toneladas de lixo, planta 51 mil árvores e reúne novos espaços de fruição, mas ainda é preciso remover passivos ambientais e melhorar a conectividade ecológica.
- O PEGA (Plano Específico de Gestão das Águas) pode permitir uma candidatura europeia de 20 a 30 milhões de euros, para dez a 12 anos de intervenção; a expectativa é ver o Leça mais limpo no próximo mandato autárquico, com participação cívica constante.
O rio Leça, que nasce em Santo Tirso, atravessa quatro concelhos e enfrenta décadas de poluição. O projeto Corredor Verde do Leça junta autarquias na gestão integrada para devolver saúde ao curso de água que, nos anos 90, foi um dos mais poluídos da Europa.
A nascente, em Pereiras, mostra água clara e vida de peixe. Guardas-rios como Ivo Ribeiro monitorizam 44 quilómetros a pé, de bicicleta e com drone, procurando descargas que contaminem o rio. A ambição é que o Leça volte a ser saudável.
A gestão do Leça envolve quatro municípios — Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos — e uma população próxima de meio milhão. O objetivo é reduzir poluentes e recuperar a conectividade entre o leito e o ecossistema ao longo de todo o eixo.
O percurso e a nascente
A nascente é discreta, sem placas. O percurso começa com água limpa em Pereiras, onde pequenos peixes nadam entre rochas. A partir daqui, o Leça recebe descargas, resíduos industriais e resíduos urbanos, agravando a qualidade da água.
Artur Branco, engenheiro do ambiente, lidera intervenções de engenharia natural. Anfiteatos, taludes vivos e vegetação nativa ajudam a estabilizar margens e criar habitat, sem destruir património existente.
O que já mudou e o que falta
O rio é monitorizado com estações fixas e sondas móveis ao longo de todo o curso. Ainda assim, há descargas em dias de chuva que continuam a degradar a água. O E coli na foz tem registado valores acima do recomendado recentemente.
O Corredor Verde retirou 250 toneladas de lixo no primeiro ciclo e plantou dezenas de milhares de árvores. Contudo, o foco está na intervenção das ETAR e na eliminação de ligações clandestinas, que persistem.
Futuro e participação cívica
A associação intermunicipal do Leça tem recebido distinções e aposta num PEGA, o Plano Específico de Gestão das Águas, para financiar uma intervenção de 10 a 12 anos. O objetivo é chegar a uma qualidade de água aceitável, com avaliação constante.
Luísa Salgueiro, presidente de Câmara, aponta a necessidade de saneamento eficaz e uma mobilização cidadã contínua. O desafio permanece: reduzir a poluição difusa e melhorar a gestão da bacia hidrográfica inteira, não apenas do leito principal.
Foz e próximos passos
Na foz, junto ao Porto de Leixões, o rio chega ao mar com a água turva e sinais de poluição, mas com conectividade melhor do que antes. Ainda assim, a recuperação exige mais décadas de trabalho, investimento público e participação contínua da população.
Especialistas e autarcas mantêm a esperança: com vontade política, investimento adequado e ações coordenadas, o Leça pode registar melhorias significativas na próxima década, sem abandonar os objetivos de proteção ambiental.
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