- Autoridades iranianas executaram pelo menos 1639 pessoas em 2025, um aumento de 68% face a 2024 (975 casos).
- O relatório conjunto de organizações de direitos humanos aponta que o Irão tem o maior número de execuções por habitante e mais execuções do que a China, cuja fiabilidade dos dados é questionável.
- Mulheres representam 48 das execuções em 2025, o que corresponde ao maior total em mais de duas décadas.
- Os grupos de defesa dos direitos humanos alertam para o risco de aumentos na use de execuções como instrumento de repressão caso o Irão supere a crise atual, incluindo a guerra com os EUA e Israel.
- As organizações pedem que a abolição da pena de morte e a libertação de presos políticos sejam prioridades nas negociações com o Ocidente.
O Irão executou pelo menos 1639 pessoas em 2025, o que representa um aumento de 68%face a 2024, quando foram registradas 975 condenações à morte. O dado consta num relatório conjunto de organizações de direitos humanos.
Segundo a Iran Human Rights (IHR) e a Together Against the Death Penalty (ECPM), o número de ejecuções em 2025 é o mais elevado desde que a IHR começou a registar estas informações, em 2008, e o mais elevado desde os primeiros anos da revolução islâmica.
A amostra de dados é descrita como mínima, já que muitas execuções não são relatadas pela imprensa oficial iraniana. As ONGs apelam a que a pena de morte seja central numa qualquer negociação ocidental com Teerão.
Contexto internacional e chamadas à ação
O relatório sublinha que, se a República Islâmica sobreviver à atual crise, as execuções podem intensificar-se como instrumento de repressão. O director executivo da ECPM afirma que a abolição deve integrar acordos com o Irão.
O responsável da IHR lamenta a ausência de menção aos direitos do povo iraniano em negociações entre os EUA e o Irão, que ocorreram recentemente sem acordo. A libertação de presos políticos é apontada como exigência prioritária nas negociações.
Perspetivas e números de 2025
Entre as 1639 execuções, destacam-se 48 mulheres, o que configura o maior total registado em mais de duas décadas. Destas, 21 foram por homicídio, segundo as organizações. Centenas de manifestantes detidos em protestos de janeiro de 2026 permanecem em risco.
O relatório alerta para a possibilidade de novas condenações à pena de morte associadas a crimes relacionados com os protestos, bem como a detenção de indivíduos ligados a movimentos de oposição proibidos. Em meio ao conflito, o Irão manteve enforcamentos durante 2025.
Contexto de protestos e limitações de dados
As ONG destacam que centenas de casos pendentes podem não estar incluídos devido a dificuldades de verificação e bloqueios de acesso à internet durante as manifestações e a hostilidade do atual ambiente político. O relatório sinaliza também que há mais de 500 casos não confirmados.
A avaliação aponta para um cenário em que o Irão poderia ultrapassar a China em termos de execuções, caso se confirme a tendência observada ao longo de 2025.
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