- O autor relembra o padre franciscano David Antunes, docente de Desenho em Montariol, como mentor respeitado, carinhoso e habilidoso no ensino dos alunos.
- O padre incentivou a ler Camilo Castelo Branco, pedindo para ler apenas o que estava sublinhado a vermelho em Amor de Perdição.
- A leitura revelou episódios e personagens que ficaram gravados, desde Domingos Botelho até as freiras de Monchique, passando por descrições de ferradores e outros episódios humorísticos.
- O ensinamento de Desenho incluiu o método de Loomis e técnicas de retrato e caricatura, despertando no autor gosto pela reprodução de rostos e pela apreciação do humor camiliano.
- A ligação entre Camilo e a prática artística levou o autor a usar as descrições do romancista para explorar retratos e caricaturas, moldando a sua visão literária e artística.
David Antunes, sacerdote franciscano e professor de Desenho, influenciou de forma marcante a minha relação com o desenho e com a obra de Camilo Castelo Branco. A memória associa ao ensino uma passagem quase íntima entre o traço e a leitura.
Na escola de Montariol, o padre era tido como docente querido e dedicado, com uma abordagem prática da perspetiva cavaleira. Descobrimos, através dele, o método de Loomis e o fascínio por retratos e caricaturas, que moldaram a minha forma de ver a arte e a literatura.
A aproximação camiliana
Ao ler Camilo, o padre estimulou a leitura seletiva, destacando apenas o que estava sublinhado na edição do romance Amor de Perdição. A partir dessa leitura guiada, percebi a ironia e o humor presentes na prosa camiliana, traduzidos em descrições de personagens como Domingos Botelho e de episódios da corte portuguesa, com enfoque na psicologia das personagens e nos traços sociais da época.
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