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António de Abreu Freire afirma que Jesus foi ativista

António de Abreu Freire defende que Jesus foi ativista, explorando a construção histórica da figura e o impacto do cristianismo na civilização ocidental

António de Abreu Freire: "Jesus foi um ativista"
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  • António de Abreu Freire tem vindo a escrever a biografia de Jesus desde os anos setenta, resultando em o livro “Jesus, o Cristo. A biografia de um homem” (Contraponto).
  • O subtítulo questiona se é a biografia do homem por trás do Novo Testamento, dizendo que o perfil inicial de Jesus foi criado por Paulo de Tarso, ainda que este não o tenha conhecido.
  • O autor defende que a imagem de Jesus se explica pela cultura, pela expansão do cristianismo e pela adoção da língua grega, após o judaísmo e o domínio romano.
  • Freire descreve várias representações de Cristo ao longo da história, enfatizando que a iconografia evoluiu conforme sentimentos de aderentes e influenciou rituais ocidentais.
  • O pesquisador sustenta que Jesus foi ativista político, situando o contexto de resistência frente ao domínio romano, com referências históricas a grupos e figuras da época.

António de Abreu Freire, investigador e professor, tem vindo a dedicar a vida desde os anos 70 à escrita da biografia de Jesus Cristo. O seu trabalho resultou no livro Jesus, o Cristo. A biografia de um homem, publicado pela Contraponto, que lhe levou cinco décadas a completar.

O investigador afirma que o foco é perceber quem foi Jesus, não apenas o que está nos Evangelhos. Começou por examinar o homem por trás do Novo Testamento, destacando que, para resumir a biografia de Nazaré, bastariam três páginas; ele escreveu 256.

O autor explica que Paulo de Tarso ajudou a moldar a imagem de Jesus, num perfil que não o conheceu. Ao longo dos séculos, a figura foi enriquecida pelas comunidades cristãs e pelas representações artísticas, que reflectiram sentimentos de cada época.

O ativismo de Jesus e o contexto histórico

Freire descreve Jesus como uma figura ativista num império complexo, onde governava o helenismo e a ocupação romana. O autor sustenta que houve resistência a essas influências, citando movimentos judaicos e dissidência frente ao domínio grego e romano.

O estudo aborda ainda a expansão do cristianismo, destacando a língua grega como motor de propagação após a morte de Jesus. O autor aponta que os textos do Novo Testamento reflectem escolhas linguísticas e históricas que moldaram a fé cristã.

O investigador analisa também a construção de dogmas e da figura de Maria, questionando tradições sobre virgindade e linguagem bíblica. Sinaliza como decisões de poder da Igreja contribuíram para definir rituais, doutrinas e títulos papais.

Sobre fé, história e leitura crítica

Freire afirma manter uma visão crítica sobre a Bíblia, reconhecendo o papel central das Escrituras apesar das ambiguidades históricas. O entrevistado admite manter uma fé pessoal, conciliando-a com estudos de diversas religiões.

O autor compara a religião cristã com outras tradições, apontando semelhanças e diferenças com o Islão e o Judaísmo. Enquadra os atuais conflitos na região como reflexo de crises civis profundas, não apenas de disputas religiosas.

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