- O Uzbequistão lançou o programa People’s IPO para transformar cidadãos em acionistas de grandes empresas públicas, ampliando a participação pública e o desenvolvimento do mercado de capitais.
- A primeira empresa a entrar no programa foi a Bolsa Republicana de Mercadorias do Uzbequistão (UZEX); as ações ficaram entre 12 900 e 18 000 som uzbeques, o equivalente a 0,89 a 1,24 euros, com 12 600 candidaturas apresentadas e 11 298 aprovadas.
- O investimento total na operação ficou em cerca de € 2,95 milhões, com a oferta sobre-subcrita em 128%, e o número de acionistas da UZEX aumentou de aproximadamente 2 200 para 13 600.
- As plataformas digitais, incluindo a GoInvest, ajudaram a abrir o mercado a retalho, mas também colocaram pressão sobre infraestruturas e exigiram literacia financeira.
- Especialistas veem o programa como uma mudança estrutural que pode ampliar a participação pública, aumentar a transparência e tornar futuras IPOs mais maduras e recorrentes.
A Ásia Central dá um passo decisivo na democratização do capital. O Uzbequistão lança o programa People’s IPO, que permite a cidadãos comuns tornarem-se acionistas de grandes empresas estatais. A iniciativa, anunciada em 2024, visa ampliar a participação pública e estimular o mercado de capitais.
A medida insere-se num pacote de reformas económicas que procura reduzir a intervenção estatal direta na economia. O objetivo é ampliar a participação pública na transformação económica e criar uma cultura de detenção de ações entre os cidadãos, assegura a Agência para a Gestão de Ativos do Estado.
A primeira operação ocorreu na Bolsa Republicana de Mercadorias do Uzbequistão (UZEX). As ações foram vendidas entre 12 900 e 18 000 som uzbeques, aproximadamente 0,89 a 1,24 euros, com grande adesão popular.
Candidaturas e resultados indicam procura significativa. A gestão estatal revelou 12 600 candidaturas, das quais 11 298 foram aprovadas, totalizando perto de 2,95 milhões de euros de investimento e uma subscrição acima da oferta.
Para o mercado, o impacto foi notável. O diretor-executivo da KAP DEPO, Farrukh Khodjaev, descreveu o IPO como um marco, garantindo que a bolsa deixou de ser um domínio apenas de bancos e institucionais.
O aumento de acionistas da UZEX — de cerca de 2 200 para 13 600 após a SPO — sublinha o interesse público. A procura superou as expectativas, com sobre-subcrição a atingir 128%.
Experiência de investidores heterogénea revela um início cauteloso. Muitos participantes questionaram retornos, dividendos e riscos, sinalizando uma abordagem informada e com liquidez no mercado.
As plataformas digitais tiveram papel central no processo. Candidaturas recorreram a sistemas de negociação eletrónica e a apps como a GoInvest, mas a expansão expôs perguntas sobre infraestruturas e literacia financeira.
Especialistas destacam desafios operacionais. A entrada simultânea de milhares de retalhistas exigiu suporte eficaz de corretores, bolsas e centrais de atendimento, bem como formação básica sobre IPOs.
A experiência já comparável noutros países ajuda a enquadrar o modelo. O Cazaquistão lançou, em 2011, o seu People’s IPO, com ações de empresas estatais a retalhistas, refletindo uma tendência de aprofundar mercados e diversificar a base de acionistas.
Para além do tamanho do público, a iniciativa pretende promover governança corporativa e maior responsabilização, segundo Temur Makhkamov, professor na Westminster International University, em Tashkent.
O programa visa também captar investimento de longo prazo, desequilibrando menos a dependência de crédito bancário. Analistas observam que a participação pública pode evoluir para instrumentos regulares de captação.
Se o caminho continuar, futuras IPOs abertas ao público poderão tornar-se rotinas no Uzbequistão, com maior maturidade do mercado e maior participação cívica nos ativos nacionais.
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