- O pintor Armando Alves, de 90 anos, morreu recentemente e ficou conhecido por ter integrado o grupo Os Quatro Vintes e por se ter dedicado ao design e à memória gráfica da vida cultural do Porto.
- Além da pintura, impulsionou as artes gráficas no ensino académico, na edição literária e na publicidade, tornando-se pioneiro no Porto na área.
- A morte foi anunciada pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, após ele ter sido homenageado pela cooperativa Árvore, no Porto, com uma retrospetiva da sua obra.
- Entre distinções, destacou-se o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito (2006) e o Prémio de Artes Casino da Póvoa (2009).
- Armando Alves nasceu em Estremoz, estudou em Lisboa e no Porto, integrou Os Quatro Vintes em 1968 e teve uma carreira marcada pela ligação entre pintura e design gráfico, com ativa participação em exposições nacionais e internacionais.
Armando Alves, pintor de 90 anos, faleceu recentemente, confirmou a Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. O artista integrou o grupo Os Quatro Vintes e foi pioneiro na memória gráfica da vida cultural do Porto, ao mesmo tempo que se dedicou ao design e à ilustração.
A sua trajetória cruza pintura e artes gráficas. A partir do final dos anos 1960, valorizou e renovou este campo, mantendo ligação ao ensino académico, à edição literária e à publicidade. A cooperativa Árvore prestou-lhe homenagem em novembro passado com uma retrospetiva da obra.
Armando Alves nasceu em Estremoz, em 7 de novembro de 1935, e estudou em Lisboa e no Porto. Em 1968 tornou-se parte do grupo Os Quatro Vintes, com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, destacando-se também pela direção de publicações e cartazes.
Formação e inserção no design
Enquanto aluno da ESBAP, Alves dividiu o trabalho entre pintura e gráfica, vindo a tornar-se uma figura marcante na introdução do design gráfico na academia portuense. Entre 1962 e 1973, lecionou como assistente, contribuindo para o desenvolvimento da área na cidade.
Na década de 1960, realizou várias exposições em galerias portuguesas e internacionais, incluindo Porto, Lisboa e Paris, consolidando a relação entre pintura e artes gráficas. A sua prática combinou objetos-escultura e linguagem pictórica, com uma paleta de ocres e tons quentes.
Carreira gráfica e editoras
A atuação gráfica estendeu-se a obras literárias, catálogos e programas de espetáculos. Dirigiu edições como Cartas Portuguesas, Variações sobre um Corpo e Bibliotecas associadas a autores clássicos e contemporâneos, trabalhando com edições de Eugénio de Andrade e José Rodrigues.
Ao longo da carreira profissional, Alves esteve ligado a editoras como a Editorial Inova, a Editorial Limiar e a Editorial Oiro do Dia. A sua experiência gráfica manteve-se em diálogo com a pintura, segundo a sua própria visão de continuidade artística.
Reconhecimentos e legado
Em 2006 recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, e em 2009 foi distinguido com o Prémio de Artes Casino da Póvoa. O Porto reconheceu a sua importância para a vida cultural, com uma retrospetiva na Árvore em 2023.
A obra de Alves está presente em coleções como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e o Museu Nacional Soares dos Reis. A Universidade do Porto destaca-lhe a participação em importantes mostras e prémios ao longo da carreira.
Declaração de vida e perspetiva
Na Autobiografia de 2009, publicada no JL, o artista descreveu o Porto como fonte de amizades, debates culturais e oportunidades que moldaram a sua trajetória. Ressaltou também o peso da época política e o papel da Árvore na vida cultural da cidade.
Armando Alves manteve residência entre Matosinhos e Estremoz, sinalizando uma ligação permanente às raízes alentejanas e à região onde cresceu. O seu legado prende-se com a passagem entre pintura e artes gráficas, contribuindo para a memória institucional do Porto.
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