- Partidos de esquerda em Lisboa criticam Carlos Moedas por alegada cedência à extrema-direita na política cultural, durante debate sobre EGEAC e equipamentos culturais municipais.
- EGEAC anunciou, em 13 de Março, que Miguel Loureiro passa a ser director do Teatro do Bairro Alto e Anabela Valente fica à frente do Museu do Aljube, sem concurso público, gerando críticas quanto à transparência.
- Reações na sessão: oposição acusa falta de transparência e pergunta-se se houve influência do Chega na direção cultural; defesa de legitimidade das escolhas por parte do executivo.
- PS diz que o foco é ideias e métodos, não pessoas; Chega defende cultura de direita; BE destaca que direcções anteriores foram escolhidas por concurso.
- Recomendações do Livre e do PCP foram rejeitadas com votos contra de PSD, IL, CDS-PP e Chega, mantendo a orientação atual sobre a política cultural da cidade.
Os partidos de esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa criticaram a governação de Carlos Moedas por suposta cedência à pressão da extrema-direita radical na política cultural da cidade. O debate sobre a EGEAC e os equipamentos culturais municipais ocorreu nesta terça-feira, sem a presença do presidente da Câmara nem do vereador da Cultura.
A discussão centrou-se na não recondução dos diretores do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, Rita Rato, e do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão. Os deputados questionaram a visão do executivo sobre estas mudanças e o processo que as antecedeu.
Nomeações sem concurso e transparência
O vice-presidente da Câmara, Gonçalo Reis, defendeu o desdramatizar das alterações, dizendo que as escolhas da EGEAC obedecem a critérios de valor e pluralidade. Em 13 de março, a EGEAC anunciou que Miguel Loureiro assumiria o Teatro do Bairro Alto, e Anabela Valente dirigiria o Museu do Aljube.
Gonçalo Reis apelou a que se evitem soluções únicas e reiterou a legitimidade do governo para as escolhas. Sofia Lisboa (PCP) apontou decisões concretas que não considera normais e referiu uma petição pela recondução de Rita Rato.
João Monteiro (Livro) defendeu que devem existir concursos públicos e audiências, questionando a influência do Chega no rumo da programação cultural. Alexandra Mota Torres (PS) ressaltou que o debate visa ideias e métodos, não pessoas, e mencionou ataques políticos à liberdade artística.
Miguel Coelho (PS) afirmou que o foco é a condução da política cultural em Lisboa, não a avaliação individual dos nomeados. Margarida Bentes Penedo (Chega) reiterou a necessidade de uma cultura de direita. Liliana Fidalgo (PSD) lembrou que a cultura evolui e que as divergências políticas existem.
Maria Escaja (BE) destacou que as direcções anteriores foram escolhidas por concurso e acusou Moedas de nem sempre privilegiar a transparência. Francisco Camacho (CDS) comentou que a esquerda vê a cultura como espaço político, e Pedro Bugarin (IL) defendeu a renovação de quadros como prática comum.
As votações resultaram na rejeição, com votos contra de PSD, IL, CDS-PP e Chega, das recomendações do Livre e do PCP sobre a política cultural de Lisboa.
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