- Na Assembleia Municipal de Lisboa houve debate sobre a EGEAC e a política cultural da cidade, com críticas à governação de Carlos Moedas por alegada cedência à extrema-direita radical.
- Foram anunciadas mudanças nas direções do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, e do Teatro do Bairro Alto, sem concurso público: Anabela Valente ficará no Aljube e Miguel Loureiro acumula funções no Bairro Alto.
- Os partidos de esquerda questionam a transparência e o processo, defendendo concursos públicos e exigindo clarificação sobre o peso da influência da extrema-direita na programação cultural.
- O PS sustenta que o debate deve focar ideias e métodos, não pessoas, e acusações sobre ataques à liberdade artística associam-se ao Chega; Livre defende concursos e audiências prévias.
- As recomendações do Livre e do PCP sobre a política cultural foram rejeitadas com votos contra de PSD, Il, CDS-PP e Chega.
Na Assembleia Municipal de Lisboa, os deputados de esquerda criticaram a governação de Carlos Moedas (PSD) por suposta cedência à extrema-direita na política cultural da cidade. O debate surgiu no âmbito de uma discussão sobre a EGEAC e equipamentos culturais municipais.
O PCP pediu esclarecimentos sobre a não recondução dos diretores Rita Rato, do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, e Francisco Frazão, do Teatro do Bairro Alto. Os populares defenderam que as mudanças decorrem de critérios de valor e equilíbrio de pluralidade.
Em ausência do presidente da câmara e do vereador da Cultura, o vice-presidente Gonçalo Reis (PSD) destacou o empenho cultural do executivo e minimizou as mudanças, dizendo que as nomeações obedecem a critérios de mérito e equilíbrio.
Nomeações sem concurso e críticas à transparência
No anúncio de 13 de março, a EGEAC indicou que Miguel Loureiro, até então diretor do Teatro Municipal São Luiz, passa a coordenar também o Teatro do Bairro Alto, enquanto Anabela Valente fica à frente do Museu do Aljube. As nomeações foram feitas sem concurso público.
Gonçalo Reis afirmou que é fundamental evitar soluções únicas, defendendo a legitimidade do executivo para escolher as direções sem requerer explicações adicionais. A esquerda contestou a falta de transparência e pediu clarificação sobre o peso da influência do Chega na política cultural.
Para o PCP, houve decisões concretas que não são normais, com uma petição pela recondução de Rita Rato e uma carta aberta contra uma suposta cultura de direita. A deputada Sofia Lisboa reforçou que apenas duas das 21 estruturas mudaram de ciclo.
O Livre ponderou que o essencial é a ausência de processos públicos e a falta de audiência de candidatos, questionando o impacto da influência partidária na programação cultural. A deputada destacou a necessidade de concursos e de transparência.
Reações partidárias e leitura da governança
O PS enfatizou que o debate visa analisar ideias e métodos, não pessoas, e criticou ataques à liberdade artística. A deputada Margarida Bentes Penedo, do Chega, afirmou que não existe neutralidade na política cultural e defendeu uma orientação de direita para a cidade.
A socialista Alexandra Mota Torres lembrou que a discussão é sobre o rumo da cultura, e não sobre atestar quem fica ou sai. O BE destacou que as nomeações anteriores ocorreram por concurso, ecoando preocupações sobre transparência na gestão.
A licitude das mudanças foi defendida por CDS e IL, com a observação de que a cultura pode sofrer alterações com renovação de quadros. O tema permaneceu sem consenso entre os grupos, com votos contra de PSD, IL, CDS-PP e Chega sobre recomendações de oposição.
As mudanças na direção de dois equipamentos da EGEAC geraram um intenso debate sobre transparência, influência política e o peso das mudanças de ciclo na política cultural de Lisboa.
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