- A autora questiona a normalidade, sugerindo que é uma falácia e que todos, mesmo adultos, podem acreditar em fábulas.
- Durante um lanche com amigos, entra numa casa de subúrbio organizadíssima, mas com um caos de objetos espalhados que contrastam com a aparência polida dos anfitriões.
- Um dos amigos, casado há dezasseis anos, termina abruptamente o casamento três semanas antes, durante o regresso de férias na República Dominicana, a trinta e cinco mil pés de altitude.
- Outro amigo, que parece bem, comenta que conheceu alguém no Tinder e quer seguir em frente, apresentando um sorriso confiante enquanto fala de retomar a “normalidade”.
- A autora reflete sobre o poder das fábulas, o luto pelo que ainda pode surgir no futuro e a ideia de normalidade numa vida marcada pela imprevisibilidade.
O texto analisa a ideia de normalidade por meio de situações cotidianas e lembranças. Em tom contemplativo, questiona se existe uma normalidade estável ou apenas narrativas que criamos para interpretar a vida. A autora usa imagens e situações para explorar esse conceito.
Durante um lanche com amigos, uma casa de subúrbio serve de cenário para contrastar aparências e ordem com o caos possível. Um casal, formado em Ciências Exatas, mantém a vida organizada, com família típica, mas o espaço de trabalho revela uma acumulação de objetos variados que desafia a ideia de normalidade.
Eis aqui um segundo elemento: uma conversa com um amigo cujo casamento de 16 anos terminou recentemente, a 35.000 pés, durante um voo de regresso de férias. A notícia é recebida como um choque, ainda que ele tente manter um sorriso. O episódio ilustra o contraste entre expectativa estável e mudanças súbitas.
Reflexões sobre normalidade
Ao longo do encontro, a autora observa como o que parece normal pode esconder desordem interna ou mudanças profundas. O casal exemplar contrasta com a turbulência emocional de quem encara uma separação, revelando que as narrativas de normalidade podem ser frágeis.
O texto descreve ainda a reação de cada um: o amigo que anuncia a separação mantém a postura serena, inclusive ao comentar ter encontrado alguém no Tinder, enquanto busca avançar na vida. A narrativa usa humor suave para retratar a gestão de emoções intensas.
A autora reflete sobre a ideia de que a normalidade pode ser uma ilusão criada para evitar o desconforto da mudança. A situação de avião e a metáfora de pára-quedas aparecem como imagens de preparação para lidar com o inesperado.
No conjunto, o relato sugere que o valor das fábulas está na função de nos apaziguar diante de quedas e turbulências. A busca pela “normalidade” aparece como um impulso humano, mesmo quando a realidade contradiz essa noção.
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