- O Teatro Griot regressa à obra de Bernard‑Marie Koltès com Combate de Negro e de Cães, em Lisboa.
- A peça está em cena no Teatro do Bairro, até 15 de março.
- Um homem negro chega a um enclave de homens brancos para reclamar o corpo do seu irmão.
- Esconde-se detrás da vegetação e não se deixa ver de início, apenas quer o corpo para acalmar a mãe enlutada.
- Do lado dos anfitriões, a resposta é evasiva: mencionam indemnizações por morte acidental de um operário de um estaleiro francês em território africano.
O Teatro Griot apresenta Combate de Negro e de Cães, de Bernard-Marie Koltès, em encenação de Zia Soares, no Teatro do Bairro, em Lisboa, até 15 de março. A peça analisa fronteira e colonialismo com leitura atual.
Um homem negro chega para reclamar o corpo do seu irmão junto de um grupo de homens brancos. Esconde-se entre a vegetação e não pede mais do que o cadáver para que a mãe, perdida da razão, possa, de alguma forma, parar de uivar de dor à noite. Do outro lado, Alboury recebe uma não-resposta: prometem esclarecer o caso, mas antes falam em indemnização por morte acidental de um operário de um estaleiro francês em território africano.
Do princípio, a encenação coloca em foco o confronto entre culturas em choque, o silêncio e as promessas não cumpridas. A peça questiona como as relações de poder moldam identidades e as dinâmicas entre colonizadores e territórios colonizados.
Contexto da encenação
A montagem mantém o eixo de Koltès, mas a leitura é ajustada pela direção de Zia Soares, com foco na tensão entre o homem que chega e o conjunto de homens que o rodeia. A produção dialoga com temas de memória, perda e justiça.
A temporada em Lisboa oferece uma leitura contemporânea da obra, ainda em cena até meados de março, valorizando a direção, a economia de gestos e a intenção crítica do texto original.
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