- O evento decorre na Casa da Arquitectura, em Matosinhos, e comemora o 36.º aniversário do PÚBLICO.
- Fernando de Mello Franco alertou para o urbanismo violento das cidades e defendeu regresso aos quintais para reconectar as pessoas com o planeta.
- Criticou a lógica de destruir florestas para erguer prédios, comparando o modelo urbano a uma alimentação rica em gorduras saturadas.
- Propôs um regresso aos quintais como espaço de encontro intergeracional, produção e construção de vínculos com a Terra.
- Luísa Salgueiro afirmou que há muitos esforços e dinheiro disponível, mas o país não está a conseguir responder à crise da habitação; o debate inclui o tema “As Casas que Temos, as Casas que Queremos” e encerra com a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa.
A conferência “A Minha Casa”, organizada pelo PÚBLICO, abriu hoje no âmbito das celebrações de 36 anos do jornal. Fernando de Mello Franco apresentou uma leitura sobre urbanismo, defendendo que a cidade é violenta com a natureza e sugerindo um regresso aos quintais como forma de reconectar com o planeta. O evento decorre na Casa da Arquitectura, em Matosinhos.
O arquitecto e urbanista brasileiro destacou que a Terra é a nossa única casa e que todos os lugares estão ligados. Constatou uma crescente desconexão entre natureza e cidade, apontando casos como São Paulo e práticas em grandes países, onde a construção de betão domina sobre o ambiente natural.
Segundo o palestrante, a lógica de alguns projetos destructivos compromete habitats e biodiversidade, comparando o modelo urbano a uma alimentação pouco saudável. Defendeu uma mudança de paradigma, com maior participação social e menos segregação entre elites e comunidades.
Regresso aos quintais como alternativa
Como alternativa, Franco defende o regresso aos quintais, como espaço de encontro entre gerações, que junta lazer e produção. O quintal é visto como suporte para fortalecer vínculos com o lugar e para aprendizagem de hábitos mais sustentáveis de habitar.
O diretor associado do Instituto ZeroCem explicou que o quintal facilita a construção de afetos e a reconexão com a Terra, oferecendo oportunidades de formação de comunidades mais solidárias e ambientalmente responsáveis.
No programa, a conferência incluiu painéis sobre as casas que existimos vs. as que desejamos, a relação entre casa e cidade, e políticas nacionais de habitação. A sessão de encerramento fica a cargo de Patrícia Gonçalves Costa, secretária de Estado da Habitação.
Perspectivas sobre a habitação no país
Antes do início, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, afirmou que, apesar de muitos esforços e fundos disponíveis, o país não tem conseguido responder plenamente à crise da habitação. A conferência pretende estimular caminhos para o futuro da habitação em Portugal.
Entre na conversa da comunidade