- A Quercus percebeu um aumento nos resgates em 2025, com quase 1.700 animais ingressados nos três Centros de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS), 7% a mais que em 2024.
- Dos 1.673 animais recolhidos, 1.577 ingressaram com vida e 42,2% foram devolvidos ao habitat natural; a taxa de sucesso fica em torno de cinquenta por cento.
- As aves representaram 83,8% do total de admissões, seguidas de mamíferos (14,4%) e répteis/anfíbios (1,7%).
- As principais causas de entrada foram tiro (1,1%), cativeiro ilegal (1,7%) e envenenamento (0,09%), refletindo ainda assim a contínua pressão humana sobre a fauna.
- Entre as espécies ameaçadas, foram acolhidos 127 animais, incluindo milhafre-real, abutre-preto, águia-real e cágado-de-carapaça-estriada; a história da coruja-do-mato bebé, que atuou como babysitter para crias órfãs, também se tornou emblemática.
Os Centros de Recuperação de Animais Selvagens da Quercus registaram quase 1700 entradas em 2025, segundo o balanço divulgado pela associação a propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem. Entre quedas de ninho, atropelamentos, tiros e envenenamento, o número de admissions subiu 7% face a 2024.
Entre os 1673 animais recolhidos, 1577 ingressaram com vida e 42,2% foram devolvidos ao habitat natural. A taxa de sucesso positiva situa-se nos 50%, segundo Carolina Nunes, coordenadora dos centros. As tempestades deste ano também provocaram vítimas.
As aves representaram 83,8% do total de admissões, seguidas por mamíferos, répteis e anfíbios. Entre as espécies mais atendidas destacam-se a gaivota-de-patas-amarelas, a andorinha-dos-beirais, o andorinhão-pálido e o ouriço-europeu, conforme o relatório da Quercus.
Regressando às causas de ingresso, os centros indicam tiroteio, cativeiro ilegal e envenenamento, com números baixos mas de impacto em espécies com populações reduzidas. Carolina Nunes reforça que os humanos continuam a representar uma das maiores ameaças.
A coruja babysitter
Entre as histórias marcantes está uma coruja-do-mato bebê que caiu do ninho. Transportada para o CRASSA, a ave foi tratada, mas acabou por ficar em cativeiro por motivos de adaptação e proteção. A coruja assumiu o papel de protetora de crias órfãs que chegam ao centro.
Com mais crias caídas dos ninhos, a coruja tornou-se numa figura de referência no CRASSA, ajudando a ensinar a voar e a capturar presas. Apesar de permanecer em cativeiro, a ave tornou-se uma babysitter de sucesso no centro, segundo a equipa.
Espécies ameaçadas e impacto humano
Ao longo de 2025, 127 animais de espécies com estatuto ameaçado foram acolhidos, incluindo várias classificações de vulnerável, em perigo e criticamente em perigo. Entre as espécies destacam-se o milhafre-real, o abutre-preto, a águia-real e o cágado-de-carapaça-estriada.
O balanço menciona ainda o caso recente de mortalidade de milhafres-reais em Almeida, que levou à abertura de investigação envolvendo autoridades, notícia publicada pelo Público. A Quercus reforça que os centros são também sensores ecológicos, ajudando a identificar zonas críticas e práticas ilegais.
O papel dos CRAS
Os CRAS são apresentados como mais do que simples hospitais de fauna: são pontos de monitorização ambiental que informam campanhas de conservação e investigações. Em 2025, 137 estagiários e voluntários apoiaram equipas em biologia, medicina veterinária e zootecnia.
Os centros integram a Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna, coordenada pelo ICNF, com apoio de entidades públicas e privadas. A Quercus sublinha que a melhoria de infraestruturas e alimentos resulta de financiamentos do Fundo Ambiental e de parceiros, permitindo respostas mais rápidas.
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