- Grupo de especialistas publicou na Nature a defesa de uma avaliação global dos riscos evitáveis das alterações climáticas para informar governos e cidadãos.
- Atualmente não existe uma análise global coordenada internacional, o que pode levar a subestimar a ameaça e a definir mal as prioridades de recursos.
- Um estudo com 854 cidades europeias revela que as alterações climáticas foram responsáveis por 68 por cento das 24 400 mortes por calor no verão passado, com temperaturas até 3,6 °C.
- A subida do nível do mar e eventos extremos exigem mais investimento em defesas contra cheias e preparação, incluindo possíveis abandonos de áreas de grandes cidades se as emissões persistirem.
- A avaliação global daria aos decisores uma visão fiel dos riscos e ajudaria a definir medidas de mitigação atempadas; obstáculos incluem a complexidade científica, barreiras políticas e à partilha de dados, e o momento é agora.
O mundo continua despreparado para enfrentar as alterações climáticas, apesar das evidências de danos iminentes. Um grupo de especialistas publicou na Nature um alerta sobre a falta de uma avaliação global, atualizada e fidedigna dos riscos climáticos.
Segundo os autores, governos e cidadãos carecem de uma visão integrada dos riscos evitáveis para orientar políticas, prioridades de investimentos e respostas de mitigação. A ausência de uma análise coordenada internacional pode subestimar a dimensão da ameaça.
A equipa destaca que, mesmo com consequências já visíveis, não houve ainda uma análise global que agregue cenários, probabilidades e impactos. A dificuldade envolve ciência complexa, dados variados e necessidade de cooperação entre setores.
Riscos em alta na Europa e noutras regiões
Investigadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine analisaram 854 cidades europeias. Concluíram que as alterações climáticas contribuíram para 68% das mortes por calor no verão passado, com temperaturas até 3,6 ºC acima do normal.
Além disso, subiu a humidade atmosférica por cada grau de aquecimento, favorecendo eventos de precipitação intensa e tempestades. Este fenómeno tem impactos significativos em infraestruturas, serviços e saúde pública.
Os autores também alertam para que políticas de adaptação não sejam simplistas. Conceber defesas contra cheias implica planeamento de longo prazo, especialmente em grandes cidades onde o abandono é uma hipótese para o aumento do nível do mar.
Como seria uma avaliação global dos riscos climáticos
A avaliação pretendida daria uma visão geral dos riscos, impactos e probabilidades de cenários extremos. O objetivo não é descrever desespero, mas clarificar o que ainda pode ser evitado com ações decisivas.
Os autores reconhecem que a tarefa é complexa: ciência climática, diferenças regionais, cooperação entre áreas de especialização e evolução rápida dos riscos. Barreiras políticas, económicas e de partilha de dados também dificultam a criação de um quadro internacional estável.
O papel de líderes e da comunidade global
Peter Scott, climatologista e coautor, afirma que a lacuna atual precisa de ser fechada com prioridade. O grupo sustenta que uma avaliação internacional transparente poderia evidenciar ameaças e oportunidades, incentivando ações mais eficazes.
A análise global seria mandatada a nível internacional e visaria apoiar decisões informadas. Os autores destacam que o momento para agir é agora, antes de agravarem-se cenários já previsíveis.
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