- As cheias e inundações recentes em Portugal evidenciam os efeitos das alterações climáticas e as fragilidades do território na gestão do solo, da água e do planeamento urbano.
- A adaptação climática precisa de antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades, com as Soluções Baseadas na Natureza (Nature-based solutions) a ganhar peso como complemento às infraestruturas tradicionais.
- Os serviços dos ecossistemas, como regulação do ciclo da água, sequestração de carbono e regulação climática, têm valor económico e podem baixar custos em infraestruturas, energia e saúde pública.
- Intervenções possíveis incluem recuperação de zonas húmidas para retenção de caudais, drenagem urbana sustentável que privilegia infiltração e coberturas verdes que aumentam eficiência energética e gestão de águas pluviais.
- Exemplos nacionais já demonstram o potencial: bacia de retenção no Parque da Cidade de Setúbal, e projetos no Porto como o Parque Central da Asprela e o Jardim Paulo Vallada, que melhoram a gestão da água e o espaço público.
Portugal está a lidar com cheias e inundações que evidenciam os impactos concretos das alterações climáticas. O fenómeno, já observado em diversas regiões, revela fragilidades na ocupação do solo, na gestão da água e no planeamento urbano.
Especialistas apontam que Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis às alterações climáticas, com secas prolongadas, incêndios rurais, precipitação intensa e pressão sobre recursos hídricos. A adaptação exige políticas públicas mais preventivas.
As Soluções Baseadas na Natureza (NBS) ganham peso como complemento das infraestruturas tradicionais. Estas intervenções utilizam processos naturais para reduzir riscos, gerando benefícios ambientais, sociais e económicos, e promovem um equilíbrio entre soluções verdes e cinzentas.
O funcionamento assenta nos serviços dos ecossistemas, como regulação do ciclo da água, sequestra de carbono e regulação climática. O valor económico aparece na redução de custos com infraestruturas, energia e saúde pública.
Exemplos nacionais já demonstram o potencial das NBS. A bacia de retenção do Parque da Cidade, em Setúbal, mostrou a importância das infraestruturas verdes na gestão de precipitação intensa. No Porto, o Parque Central da Asprela ilustra ganhos na gestão da água e na qualificação urbana.
Apesar dos avanços, a implementação continua abaixo da escala necessária. Falta continuidade de políticas públicas, planeamento de longo prazo e reconhecimento da natureza como infraestrutura funcional com valor económico real.
A adaptação do território ao novo contexto climático é essencial para estabilidade económica, segurança das populações e qualidade de vida nas próximas décadas.
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