- Milhares de chefs apelam a uma moratória sobre a enguia europeia, denunciando o impacto na biodiversidade.
- A população de enguia europeia caiu cerca de noventa por cento nas últimas décadas, apesar de a pesca e o comércio permanecerem legais na União Europeia.
- A campanha Anguille, non merci, promovida por Olivier Roellinger e apoiada por chefs e associações, visa reduzir o consumo; outras organizações também se juntaram ao movimento.
- A UE continua a permitir pesca e comércio, com planos de recuperação e metas como deixar pelo menos quarenta por cento das enguias adultas escaparem para o mar. França mantém quotas até 2027; Espanha discute proibição total, enfrentando resistência provincial.
- O comércio ilegal é significativo, com contrabando anual de enguias-de-vidro para a Ásia e importações ilegais para a UE. Internacionalmente, houve propostas em foros da CITES, mas ainda não adotadas; resoluções orientam ações de rastreabilidade e cooperação entre partes.
Milhares de chefs de todo o mundo pedem uma moratória à captura e ao consumo de enguia europeia, dada a queda drástica da espécie. A campanha surge num contexto de alerta científico sobre o risco de extinção desta enguia, ainda legal na UE.
A mobilização ganhou o apoio de nomes com pesos na gastronomia, incluindo Olivier Roellinger, Thierry Marx e Mauro Colagreco, bem como associações como Relais & Châteaux. A iniciativa angariou adesões em várias resorts e redes de restaurantes.
A campanha Anguille, non merci foi lançada por Roellinger em parceria com a ONG Ethic Ocean. Em França, a ideia já contava com milhares de chefs, enquanto em Espanha 10 cozinheiros com estrelas Michelin aderiram publicamente.
Ancorado pela evidência científica, o debate na UE questiona a continuidade das capturas. Os técnicos apontam uma redução de cerca de 90% na população de enguias europeias nas últimas décadas, tornando urgente uma estratégia de recuperação.
A UE pediu aos Estados-Membros planos de recuperação e objetivos de reprodução, incluindo manter uma proporção de 40% de enguias adultas que consigam chegar ao mar. A França, maior produtora, mantém quotas até 2027; a Espanha pondera proibição total, mas enfrenta resistência regional.
A enguia europeia continua a ser consumida sobretudo no Norte da Europa, onde aparece como filetes, e em França e Espanha, às vezes na forma de enguia de vidro. Pesquisas indicam tráfico ilícito significativo para a Ásia, apesar da proibição de exportações desde 2009.
Medidas internacionais foram discutidas em foros multilaterais. Em Bangkok, a UE participou num fórum da vida selvagem e, na COP20 da CITES em Samarcanda, houve propostas de incluir todas as enguias na lista da convenção, ainda sem decisão final.
A comissária europeia para o Ambiente reiterou a necessidade de ação internacional coordenada para proteger as enguias, afirmando que a dimensão do problema exige esforços multilaterais contínuos, inclusive no combate ao comércio ilegal.
Thea Carroll, da Secretariado da CITES, explicou que a resolução de enguias aponta lacunas de conhecimento e a importância de rastreabilidade e aplicação da lei, bem como de entender as diferentes fases da vida das enguias para uma gestão eficaz.
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