- Investigadores do World Weather Attribution dizem que as alterações climáticas tornam as chuvas de tempestades mais intensas em Portugal.
- O estudo foca-se em dados locais, avaliando o peso do aquecimento global nos fenómenos meteorológicos extremos do país, não apenas nas emissões.
- Conclusão: as tempestades intensificaram a pluviosidade, com consequências já sentidas pela população.
- A vulnerabilidade de Portugal é aggravada por desigualdades territoriais e sociais, com urbanização costeira em zonas propensas a cheias.
- Críticas a decisões de planeamento e a um regime excecional para obras pós‑tempestade Kristin, incluindo expropriações urgentes e intervenções em leitos de cheias sem autorização.
O conjunto de tempestades que atravessou Portugal nos meses de janeiro e fevereiro foi estudado por cientistas do World Weather Attribution (WWA). O objetivo foi avaliar em que medida as alterações climáticas intensificaram as precipitações extremas. A pesquisadora Friederike Otto, do Imperial College London, destaca que padrões climáticos antes controláveis passam a gerar desastres mais perigosos, segundo o estudo.
A equipa do WWA analisa dados de emissões de gases de efeito estufa, usando métodos estatísticos avançados para estimar o peso humano no aumento da severidade das chuvas. O foco esteve na região ocidental europeia, com especial atenção ao território português.
A conclusão aponta para um agravamento da intensidade das chuvas associadas às tempestades, resultado directo do aquecimento global. A técnica utilizada permitiu medir com maior precisão como os fenómenos meteorológicos extremos se alteram em Portugal.
A fragilidade do país em face de precipitações extremas fica patente na distribuição de impactos. Regiões costeiras densas, com crescimento turístico, concentram grande parte do risco, sobretudo quando a construção ocorre em áreas sujeitas a cheias.
As autoridades e especialistas portugueses já têm vindo a alertar para vulnerabilidades estruturais. Um conjunto de académicos relaciona as decisões urbanísticas com o aumento da exposição ao risco, incluindo zonas húmidas e planeamento territorial deficiente.
Miguel Bastos Araújo aponta problemas de governação e ausência de prevenção, sugerindo que políticas passadas favoreceram más escolhas. O investigador ressalta que o problema não está apenas no passado, mas na continuidade de falhas de gestão.
O regime excecional para obras pós-tempestade Kristin, aprovado pelo Governo, permite expropriações urgentes e obras em leito de cheias sem autorização. Este enquadramento é visto como uma resposta rápida, mas suscita críticas sobre impactos e planeamento.
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