- A Fonoteca Municipal do Porto (FMP) recebe, desde 2020, doações do espólio de vinil da Rádio Renascença e da Rádio Difusão Portuguesa, organizadas pelo arquivista Armando Sousa.
- Uma visitante chamada Isabel frequenta a FMP desde a abertura e, semanalmente, ouve no gira-discos a mesma canção, São Coisas…, do disco Enamorado, de Jorge Fernando.
- O gesto repetido de Isabel é apresentado como uma imagem de futuro possível, destacando a importância das pequenas perseveranças diárias para manter a memória e a cultura.
- A peça sustenta que, quando o acesso público à cultura se torna precário, a sociedade perde a capacidade de ver a vida em diferentes perspetivas, especialmente nos tempos menos felizes.
- O texto celebra a FMP, os arquivos e a teimosia de quem persiste em manter vivo o que ficou, através de pessoas, objetos e memórias.
A Fonoteca Municipal do Porto (FMP) tornou-se palco de uma rotina singular desde 2020: uma visitante ouvir sempre a mesma canção no gira-discos. O gesto, simples, ganha significado ao longo dos anos.
Durante uma visita, o arquivista Armando Sousa mostrou novas descobertas musicais, quando Isabel entrou na sala. Pediu para ouvir a faixa São Coisas…, do disco Enamorado, de Jorge Fernando, em silêncio.
Ao fim da audição, Isabel recolheu-se, mantendo a prática semanal que mantém desde a abertura da FMP em 2020. A repetição tornou-se um símbolo de permanência naquele espaço.
Contexto
A história ocorre na Fonoteca Municipal do Porto, que reúne desde 2020 doações do espólio de vinil da Rádio Renascença e da Rádio Difusão Portuguesa. O espaço funciona como arquivo público de música.
Segundo Armando Sousa, o arquivo é gerido com base na celebração da memória musical e da diversidade de formatos, preservando peças físicas e memórias associadas. A rotina de Isabel ganha, assim, dimensão de prática cultural.
Especialistas ouvidos pela redação destacam que, em tempos de crise de acesso à cultura, gestos repetidos podem funcionar como rede de apoio emocional e de continuidade de vida comunitária. A FMP confirma a regularidade da visitante ao longo dos anos.
A experiência de Isabel, descrita pelos dois protagonistas, revela o papel das instituições culturais na preservação da memória coletiva. O caso reforça a ideia de que pequenas ações diárias ajudam a manter o vínculo com o património sonoro.
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