- A NOAA alterou a forma de classificar El Niño e La Niña devido às rápidas alterações climáticas, tornando menos El Niño e mais La Niña em alguns episódios nas águas tropicais.
- Um estudo na Nature Geoscience aponta que uma invulgar transformação no ciclo de aquecimento/ arrefecimento pode explicar o salto recente da temperatura global.
- O desequilíbrio energético da Terra aumentou entre 2022 e 2025, com mais calor retido no sistema, contribuindo para temperaturas mais altas.
- Cerca de 23 por cento do desequilíbrio recente deve-se ao prolongado ciclo de La Niña, e pouco mais de metade resulta da emissão de gases por combustíveis fósseis.
- A NOAA prevê um novo El Niño para o final do ano, o que pode intensificar as temperaturas globais em 2027 e influenciar a atividade de furacões.
Em dois últimos anos, a temperatura média da Terra aumentou acentuadamente, pressionando investigadores a rever a classificação de El Niño e La Niña. A NOAA alterou este mês a forma de identificar o início de um novo ciclo, adaptando-se às rápidas mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.
Um estudo publicado na Nature Geoscience sugere que a recente reversão prolongada entre períodos de arrefecimento (La Niña) e aquecimento (El Niño) explica parte do aumento de calor observado. Os autores destacam que três quartos do desequilíbrio energético mundial resulta da combinação do aquecimento humano com a passagem de La Niña para El Niño.
A pesquisa foca a energia que entra e sai do sistema climático. Com um La Niña que dura três anos, mais calor fica retido, aumentando as temperaturas globais. Quando ocorre a transição para El Niño, esse calor é libertado, elevando ainda mais o patamar térmico.
Nova forma de classificar El Niño e La Niña
Até há pouco, a classificação baseava-se na diferença de temperatura em três zonas do Pacífico em relação ao normal. A definição de normalidade era revista a cada cinco ou dez anos, o que já não reflectia o aquecimento global.
A NOAA criou um índice de El Niño relativo, que compara as temperaturas com o conjunto das zonas tropicais da Terra. Em média, a nova métrica diverge da antiga por cerca de 0,5 °C, o que pode alterar o número de episódios classificados como La Niña ou El Niño.
Segundo Nat Johnson, da NOAA, o novo método foca as interações entre água e atmosfera, que se enquadram melhor com o estado atual do planeta. A implementação visa maiorprecisão na interpretação de padrões climáticos globais.
Perspectivas e impactos
As previsões indicam um novo El Niño no final do verão ou outono, com potencial de reduzir a atividade de furacões no Atlântico se surgir cedo. No entanto, também pode elevar as temperaturas globais em 2027.
Jennifer Francis, de um centro de pesquisa climático, aponta que o estudo ajuda a compreender o aumento do desequilíbrio energético. Especialistas destacam que o aquecimento acelerado exige preparação para fenómenos meteorológicos extremos.
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