- A exposição Há mais para além do que os olhos conseguem ver de Luisa Cunha está patente no CAV – Centro de Artes Visuais de Coimbra, inaugurada a 13 de Dezembro.
- A mostra combina imagem, som, palavra e corpo, explorando a presença e a ausência através de obras que incluem textos sonoros, instalações e vídeo, com a voz como corpo e presença corpórea.
- Destacam-se peças que aproximam o corpo da artista da própria memória, como Selfies #1 (auto-retrato sem rosto) e duas obras que ligam palavras a imagens, formando imagens-texto com datas de exposições de 1993 a 2018.
- Entre as peças, há uma instalação de mais de 30 metros com a frase repetida ao longo da parede, e obras como Mulher de 58 anos aos 2 anos, R/C (2016) e I’ll be back (2013), que exploram casa, janela, porta e passagem.
- A mostra utiliza o vocabulário da arte conceptual, com fotografias, movimento, escultura, som e performance, mantendo o foco nas memórias da artista sem acrescentar interpretações adicionais.
No Centro de Artes Visuais de Coimbra (CAV) está em exibição a mostra de Luisa Cunha intitulada Há mais para além do que os olhos conseguem ver. A apresentação, inaugurada a 13 de Dezembro, revela memórias e retratos sem rosto, movendo-se entre corpo, imagem e som.
A exposição propõe uma reflexão sobre a presença que se sente mesmo na ausência do corpo físico. O fio condutor é justamente a percepção de alguém que, embora ausente, permanece como vestígio no espaço expositivo.
A obra integra um conjunto de peças que exploram a relação entre imagem, som e texto. Cunha, que desde os anos 90 desenvolve uma prática multidisciplinar, cruza fotografia, instalações sonoras e elementos performativos.
Linguagem e presença
A curadoria aponta para a voz como corpo e presença, com obras sonoras que ocupam o espaço de forma inesperada. A mostra aproxima-se de uma leitura conceptual, valorizando o simples para revelar o complexo.
Entre as peças, destaca-se uma extensa instalação na parede, com mais de 30 metros, em que uma frase repetida delimita o gesto de escrita ao percorrer da linha, desde o topo até ao fundo.
Outras obras focam o corpo da artista em retratos sem rosto. Em Selfies #1, a repetição da palavra Nome remete ao auto-retrato sem rosto, acompanhado de um conjunto de datas que funciona quase como um currículo visual.
Memória, casa e passagem
A série Mulher de 58 anos aos 2 anos traz imagens-texto que sugerem figuras e cenários familiares sem revelar as fotografias originais. A memória cruza-se com o texto, o que se verifica em R/C, que acrescenta a ideia de casa e lar.
A obra I’ll be back mostra a montra de uma loja coberta por papel, enquanto há um vídeo de registos da rua visto pela janela da casa de Belém, em Lisboa. A exposição alterna aberturas e fechamentos, revelações e ocultações.
Objetos e tempo
Entre as peças mais marcantes está uma toalha pendurada ao lado de um cabide vazio. A instalação 02.13 (2018) sugere tempo e ação, abrindo espaço para várias leituras sobre ausência, memória e a condição humana.
A curadoria convida a interpretar as obras sem acrescentar explicações adicionais. Cada peça funciona como memória da artista, apresentando o que é e o que permanece, sem impor conclusões.
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