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Autoridades europeias alertam para resistência antimicrobiana em Salmonella

A resistência antimicrobiana em salmonela e campylobacter, já elevada, pode comprometer tratamento em humanos e exige abordagem One Health

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  • O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos alertam para a elevada resistência antimicrobiana de bactérias transmitidas por alimentos, como a salmonela e a campylobacter.
  • A ciprofloxacina continua a encontrar-se amplamente resistida tanto em humanos como em animais, levando a que a campylobacter já não seja recomendada para tratamento humano e a haver restrições no uso em animais.
  • Em salmonela, a resistência é particularmente elevada a ampicilina, sulfonamidas e tetraciclinas em vários países, com notas específicas para Itália, Portugal e Hungria.
  • O relatório destaca tendências positivas em alguns países e em animais, com diminuições da resistência a certos antibióticos ao longo do tempo, demonstrando que medidas direcionadas podem fazer diferença.
  • O ECDC sublinha a necessidade de uma abordagem One Health e alerta para aumentos na deteção de E. coli produtora de carbapenemase em animais e carne, recurso de último cuidado na medicina humana.

Autoridades europeias alertam para a resistência antimicrobiana de bactérias transmitidas por alimentos, como a salmonela, segundo relatório conjunto do ECDC e da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. O alerta surgiu esta quinta-feira.

O documento aponta que há uma elevada proporção de estirpes de campylobacter e salmonela, em humanos e animais, resistentes à ciprofloxacina, antimicrobiano-chave usado em infeções graves. A resistência reduz a eficácia do tratamento.

A resistência em animais alimentares manteve-se elevada, mas aumentou em infeções humanas por salmonela nos últimos anos, o que é considerado preocupante pelas autoridades. A ciprofloxacina deixa de ser eficaz em muitos casos.

Ação e recomendações

Para o campylobacter, a resistência já é generalizada na Europa, pelo que a ciprofloxacina não é recomendada para infeções humanas. Foram impostas também restrições ao uso em animais para preservar a eficácia clínica.

O relatório sublinha ainda que salmonela e campylobacter são causas frequentes de doenças transmitidas por alimentos, associadas ao consumo de carne, aves, ovos crus ou mal cozinhados e leite não pasteurizado.

Dados de resistência indicam valores elevados em vários países: ampicína, sulfonamidas e tetraciclinas apresentam resistência significativa em diferentes regiões, com preocupações apontadas para Itália, Portugal e Hungria.

Segundo Piotr Kramarz, cientista-chefe do ECDC, há fortes ligações entre saúde humana, animal e ambiental. Ele defende uma estratégia One Health para proteger a eficácia dos antimicrobianos.

Apesar dos avanços, a incidência de bactérias produtoras de carbapenemase em animais e carne tem aumentado, o que exige investigação mais aprofundada. Carbapenemas são de último recurso na medicina humana.

Há sinais de melhoria em alguns casos: vários países relataram quedas na resistência a antimicrobianos específicos em humanos e animais, o que demonstra que ações direcionadas podem fazer a diferença.

No entanto, áreas como a E coli mostraram estabilização da resistência a certas substâncias em aves de capoeira, indicando que o progresso não é uniforme em toda a agricultura animal.

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