- A estreia na Alemanha da peça Catarina e a Beleza de Matar Fascistas, de Tiago Rodrigues, em Bochum, viu violência e invasão de palco por dois elementos do público.
- O ator Ole Lagerpusch, que interpretava um político de extrema-direita, foi vaiado, recebeu frutas e houve tentativa de os invasores retirarem-no do palco.
- O porta-voz do teatro classificou o ataque como inaceitável; a encenadora Mateja Koleznik disse estar em choque com a “estupidez e brutalidade” do incidente.
- A peça, escrita e encenada por Tiago Rodrigues, estreou em Guimarães em 2020 e narra uma família do sul de Portugal cuja tradição é matar fascistas; o enredo conclui com um discurso de um personagem do poder de extrema-direita.
- Em Portugal, em 2025, o ator Adérito Lopes foi agredido por membros de um grupo de extrema-direita à saída de uma apresentação da peça Amor é um Fogo que Arde Sem se Ver, em Lisboa.
A estreia da peça Catarina e a Beleza de Matar Fascistas, de Tiago Rodrigues, na Alemanha gerou polémica e violência. O espetáculo abriu em Bochum, na Renânia do Norte-Vestefália, com encenação de Mateja Koleznik, de origem eslovena. O ator Ole Lagerpusch, que interpreta um político de extrema-direita, foi alvo de vaias, recebeu frutas e teve a cena interrompida por dois elementos do público. Ambos subiram ao palco com a intenção de retirar o ator do espaço.
O porta-voz do teatro afirmou que o ataque foi inaceitável, enquanto a encenadora descreveu o sucedido como uma surpresa marcada pela violência. A diretora explicou que o diálogo da encenação questiona o ascender de movimentos populistas de direita, sem identificar nomes específicos.
Contexto da Peça
A peça, escrita e encenada por Tiago Rodrigues, estreou em Guimarães em 2020. Conta a história de uma família no sul de Portugal que celebra a tradição de matar fascistas. Catarina, a jovem da narrativa, enfrenta dúvidas e recusa concluir o ritual de violência.
O enredo acompanha um discurso final de um político de extrema-direita que chega ao poder. Esse momento é utilizado pela peça para explorar temas de populismo, constituição e críticas às minorias, sem apontar movimentos concretos.
Incidente em Bochum
A história da peça já havia sido marcada por debates em outros palcos europeus. Em Itália, em 2022, críticos de extrema-direita manifestaram-se contra a apresentação em Roma. Não houve detalhamento de consequências legais.
Na origem portuguesa, a peça recebeu reconhecimento internacional, com múltiplos prémios e sessões esgotadas em várias digressões. A produção portuguesa mantem o foco na análise de fenómenos de ascensão de ideias extremistas, sem tomar posições políticas.
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