- Espólio com mais de seis mil peças arqueológicas, datadas desde o Paleolítico, ficou submerso devido às cheias em Alcácer do Sal.
- No Museu Municipal Pedro Nunes, a água chegou a 70 centímetros, afetando reservas da cripta arqueológica e do museu, bem como um contentor romano.
- As peças incluem ânforas, estátuas, peças de malacologia, itens etnográficos e geológicos, entre outros.
- A equipa de Arqueologia e Museus está a limpar, restaurar e inventariar as peças; o processo é moroso e pode exigir mais arqueólogos.
- A APOM informou que vai transmitir a ministra da Cultura a situação para acelerar a salvaguarda do espólio; o concelho também sofreu inundações no eixo ribeirinho do rio Sado.
Um espólio com mais de seis mil peças arqueológicas ficou submerso devido às cheias que atingiram Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal. As peças datam desde o Paleolítico e estavam no Museu Municipal Pedro Nunes e na Cripta Arqueológica do Castelo.
Marisol Ferreira, coordenadora do setor de Arqueologia e Museus do município, explicou à Lusa que o museu ficou bastante afetado. A água atingiu 70 centímetros dentro do edifício, danificando reservas e áreas musealizadas.
Além do conteúdo romano armazenado, as reservas da cripta arqueológica e do museu contêm uma mistura de peças diversas, entre ânforas, estatuetas, malacologia e objectos etnográficos. O estado é ainda alvo de avaliação.
A equipa de Arqueologia e Museus, reduzida, iniciou a limpeza, restauração e catalogação das peças. O processo deverá ser moroso e exigir divulgação de recursos humanos adicionais.
As peças serão tratadas por especialistas conforme a natureza de cada item, com a possibilidade de reforço de equipas para salvar o máximo possível. Há a expectativa de preservar a maioria dos elementos guardados.
Tratando-se de um volume ainda por contabilizar, a confirmação oficial sobre a extensão dos estragos depende da retirada de todos os achados arqueológicos. A prioridade é salvar o maior número de peças.
Recuperação em curso
A Câmara Municipal de Alcácer do Sal informou, via rede social, que a recuperação das reservas museológicas já começou. O objetivo é resgatar os milhares de objetos e evitar a perda de informações históricas.
O presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, visitou os espaços afetados e disse que irá comunicar à ministra da Cultura para acelerar a assistência e salvaguardar o espólio local.
O concelho foi fortemente atingido pelas nas cheias provocadas pela subida do rio Sado, que invadiu a Avenida dos Aviadores e zonas ribeirinhas, afetando comércio, habitação e restauração.
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