- Um estudo francês da Agência Francesa para a Segurança Alimentar, Ambiental e no Trabalho (ANSES) alerta para exposição de crianças a metais pesados e acrilamida em alimentos do dia a dia, como cereais, pastelaria, pão e peixe.
- Os metais identificados são cádmio, alumínio e mercúrio; o chumbo e a acrilamida (formada com temperaturas altas) também são motivo de preocupação.
- Foram analisadas mais de setecentas amostras de alimentos recolhidas em três regiões de França (Hérault, Loiret e Puy-de-Dôme) entre maio de 2021 e agosto de 2022, representando a maioria da dieta típica francesa.
- Entre três e seis por cento das crianças com mais de três anos excederam a dose diária tolerável de cádmio; 76% estiveram expostas a alumínio acima do valor de referência toxicológico.
- O estudo indica melhorias em relação a inquéritos anteriores na exposição ao chumbo e mantém recomendações sobre o consumo de peixe (duas porções por semana), com atenção a espécies predadoras.
A França está a enfrentar um alerta de saúde pública ligado à alimentação diária de crianças. Um estudo da ANSES, ainda em fase inicial, aponta exposição a metais pesados como cádmio, alumínio e mercúrio, bem como à acrilamida, formada em cozimento a altas temperaturas. Os resultados sugerem riscos potenciais para a saúde infantil.
A pesquisa, designada TDS3, envolve a recolha de mais de 700 amostras de produtos de supermercados e mercados de três regiões francesas entre maio de 2021 e agosto de 2022. As amostras cobriram mais de 90% da dieta típica e foram analisadas após preparação para consumo.
Os investigadores relacionam os contaminantes a diferentes categorias alimentares: cádmio em cereais de pequeno-almoço, alumínio em pastelaria e bolachas, chumbo em pão, mercúrio em peixe e acrilamida em fritos. Apesar de quedas em médias, persistem fontes de exposição relevantes.
Segundo Véronique Sirot e Morgane Champion, há áreas de preocupação, sobretudo com pastelaria e bolachas, que podem conter metais em traços e ter baixo valor nutricional. Legumes apresentaram números ligeiramente superiores, sem invalidar benefícios nutricionais.
Entre as conclusões, 23% a 27% das crianças com mais de três anos excederam a dose diária tolerável de cádmio, segundo a EFSA. Já 76% estiveram expostas a alumínio acima do nível de referência toxicológico, em comparação com 39% dos adultos.
Os níveis de mercúrio no peixe mantiveram-se relativamente estáveis face a estudos anteriores. Champion sublinha que peixes predadores como o atum concentram metilmercúrio, mas reforça os benefícios nutricionais do peixe, recomendando duas porções semanais, com uma de peixe gordo.
Melhorias observadas incluem a redução da exposição ao chumbo, em crianças e adultos, atribuída a políticas públicas como a proibição de gasolina com chumbo. Ainda assim, a água continua a ser uma fonte relevante de exposição ao chumbo, juntamente com pão e legumes.
A exposição à acrilamida recuou em alimentos-chave como café, mantendo-se, no entanto, em níveis elevados na exposição global. As conclusões da ANSES refletem preocupações semelhantes em vários estados europeus.
A EFSA aponta que arsénio inorgânico continua a representar risco por potenciais efeitos nocivos no desenvolvimento e na saúde cardiovascular. A monitorização europeia mantém-se crítica para grupos vulneráveis, como crianças e grávidas.
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