- O Governo classificou como tesouros nacionais dois fonogramas relativos à senha que deu início à revolução do 25 de abril de 1974, parte de um conjunto de três bobinas.
- A primeira bobina registra o programa Limite, da Rádio Renascença, que na madrugada de 25 de abril de 1974 desencadeou as movimentações militares que puseram fim à ditadura.
- As duas bobinas seguintes contêm a gravação do Primeiro Encontro da Canção Portuguesa, realizado a 29 de março de 1974, no Coliseu dos Recreios, contextualizando a escolha de Grândola, vila morena como senha da Revolução.
- Os fonogramas são propriedade da Fundação Mário Soares e Maria Barroso (primeira bobina) e da Rádio e Televisão de Portugal (segunda e terceira bobinas).
- O processo de classificação foi iniciado em 2024, com o despacho de 2023 a justificar a proteção, e o decreto de hoje inclui as bobinas no catálogo de bens móveis de interesse nacional.
A Governo classificou como tesouros nacionais dois fonogramas referentes à senha que iniciou a revolta de 25 de Abril de 1974. Os registos integram três bobinas entre as quais uma pertence à Fundação Mário Soares e Maria Barroso.
Os dois conjuntos incluem gravações da senha que deu origem ao golpe e do primeiro Encontro da Canção Portuguesa, em 29 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios. A classificação decorre de um processo iniciado em 2024.
A decisão foi publicada hoje no Diário da República, após pareceres técnicos que defenderam a valorização de registos sonoros de importância histórica. Os fonogramas entram assim no elenco de bens móveis de interesse nacional.
Contexto e pessoas envolvidas
O primeiro conjunto é propriedade da Fundação Mário Soares e Maria Barroso e contém a leitura da quadra inaugural de Grândola, vila morena, a canção que ficou associada à Revolução. Integram ainda a leitura de poemas de Carlos Albino e a canção coro da primavera de José Afonso.
O segundo conjunto, pertencente à RTP, inclui as duas bobinas do Primeiro Encontro da Canção Portuguesa, realizado em Lisboa, no Coliseu dos Recreios. Este evento enquadrou a escolha de Grândola, vila morena como senha revolucionária.
O despacho que fundamentou a classificação remete para a relevância cultural e para a memória coletiva associada ao 25 de Abril. A conservação de originais é apresentada como crucial para o património fonográfico nacional.
Linha temporal e processos
O procedimento de classificação abriu em junho de 2024, com a proposta publicada em julho de 2025. O decreto final de hoje confirma a classificação de ambos os conjuntos como tesouros nacionais de acordo com a legislação.
A doação dos registos ocorreu por Manuel Tomaz, responsável pelas gravações e coautor do programa Limite. A gestão pública destacou que a transferência de registos assegura a proteção patrimonial.
Perspectivas futuras
A Câmara Municipal de Grândola, em 2023, já destacava a importância de preservar estes registos para evitar perdas. O objetivo é consolidar os fonogramas no património cultural móvel nacional, com tutela adequada.
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