- Luz, sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo, lança o álbum de BD “Duas raparigas nuas”, que defende a liberdade de expressão e a arte.
- O livro, editado pela ASA em português, venceu o Melhor Álbum no Festival de BD de Angoulême em 2024.
- A obra narra, em episódios curtos, a génese do quadro homónimo pintado por Otto Müller em 1919, desde a criação até à sua experiência histórica.
- O relato segue o ponto de vista do próprio quadro, colocando o leitor na posição de uma das raparigas retratadas e explorando o impacto da censura.
- Luz utiliza a narrativa para denunciar a censura e enfatizar a importância da arte, da cultura e da diferença, num contexto atual de crescentes tentativas de censura.
O criador francês Renald Luzier, sobrevivente do ataque a Charlie Hebdo, lança um novo álbum de BD intitulado Duas raparigas nuas. A obra preserva a defesa da arte contra a censura e apresenta uma memória da história da arte. A editora ASA publicou a versão em língua portuguesa.
O livro narra, em episódios curtos, a origem e o percurso do quadro que lhe dá título. Inclui a compra por um colecionador, a apreensão sob regime nazi e a inclusão na exposição Arte degenerada. O relato acompanha várias mudanças de proprietário até aos dias de hoje.
A obra remete a Zwei wibliche halbakte, de Otto Mueller, pintada em 1919, e situa a narrativa num marco histórico de turbulência moral. Luz usa o ponto de vista do quadro para guiar a leitura, colocando o leitor na posição das raparigas retratadas.
Para além do retrato histórico, o álbum funciona como manifesto a favor da arte, da cultura e da opinião própria. O texto ressalta a defesa da diferença e de qualquer forma de expressão artística sem censura.
A narrativa graphic novel avança com uma linguagem visual que se revela progressivamente. As primeiras pranchas são quase brancas, apenas revelando traços quando as cores ganham contorno na tela.
Este recurso gráfico cria uma leitura em que o leitor acompanha a transformação de uma era em convulsões. O título articula memória histórica com uma crítica contemporânea à censura.
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