- O texto acusa o ministro da Agricultura de usar um discurso populista, simplificador e polarizador, que cria divisões entre ambiente, agricultura e outros usos do território.
- Defende que a conservação da natureza é aliada da agricultura sustentável e de atividades como gestão cinegética, ordenamento florestal e paisagens rurais, sustentadas por ciência e monitorização.
- Aponta megaprojetos, como centrais solares na Beira Interior e um projecto mineiro de lítio no Barroso, como ameaças a solos agrícolas, território e modos de vida, sem posição pública firme do ministro.
- Destaca o papel de organizações não governamentais de ambiente e do ecossistema de Economia Social, que agrega cerca de 74 mil organizações e é fonte de emprego, voluntariado e coesão territorial.
- Exige liderança governamental baseada em rigor, cooperação e defesa do interesse público, defendendo a ciência, o diálogo e a proteção de ecossistemas, solos e água como prioridades nacionais.
Uma carta aberta dirigida ao Ministro da Agricultura correu publicamente entre associações ambientais e organizações civis, com o objetivo de reiterar que agricultura e ambiente não são inimigos. O documento foi verdadeiramente um apelo à responsabilidade, ao diálogo e à cooperação entre setores.
A missiva é assinada pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, e pela CPADA, Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente. Os signatários criticam declarações públicas que apelam ao “bom senso” de forma beligerante.
Os signatários defendem que o país precisa de políticas que integrem conservação, agricultura e usos do território, sem dividir setores. Alegam que medidas polarizadoras criam fraturas sociais e prejudicam a coesão territorial.
Contexto institucional e impactos
A carta recorda que o setor da conservação é aliado natural da agricultura sustentável, gestão cinegética responsável e ordenamento florestal. Sublinha a importância de soluções baseadas em ciência, monitorização e tecnologia.
Os autores referem que a dependência entre solos férteis, água de qualidade, polinizadores e paisagens resilientes é essencial para a economia rural. A defesa ambiental é apresentada como alicerce da soberania alimentar, não entrave.
Beira Interior e Barroso são citados como exemplos de projetos com potencial impacto negativo em solos agrícolas e modos de vida locais. Soluções energéticas e minerais aparecem entre os temas problemáticos mencionados.
Deslocar a política da polarização
A correspondência questiona a posição do ministro perante megaprojetos que ameaçam condições agroambientais. A oposição a grandes centrais solares e a projetos mineiros é apresentada como um debate público legítimo.
A carta cita o Projecto Sophia e o aumento da produção solar, bem como a existência de um projeto mineiro de lítio no Barroso, apontando riscos para comunidades tradicionais e biodiversidade. Não há posição pública clara do ministro.
Interlocução com o ICNF e o papel das instituições
O texto critica um conflito público entre o ministro e o ICNF, acusando de descredibilizar dirigentes e técnicos do instituto. O documento reforça a autonomia científica e institucional necessária para cumprir a lei.
Assinala ainda que a polémica interna pode afetar a confiança pública e a percepção do papel de entidades de proteção ambiental na salvaguarda do interesse público.
Património e economia social como referência
O documento aponta que Portugal tem um tecido cívico robusto, com ONGA e iniciativas de cidadania lideradas por jovens. Essas entidades atuam em parceria com comunidades, investigadores e entidades públicas.
A notícia destaca a economia social como pilar da economia, com cerca de 74 mil organizações, usando dados da Conta Satélite da Economia Social para justificar o peso social do setor.
Conclusões operacionais
Os signatários pedem ao Ministro da Agricultura que promova diálogo informado, coopere com todos os setores e rejeite discursos que alimentem a divisão. A cooperação intersetorial é apresentada como necessária.
A carta encerra com a exigência de liderança baseada no rigor, cooperação e responsabilidade, defendendo a proteção de ecossistemas, solos, água e serviços de ecossistema como prioridades nacionais.
Entre na conversa da comunidade