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ONG defende animais contra movimento que propõe fim da proteção ao lobo

ONGs alertam que descrever o lobo ibérico como “terrorismo” desumaniza e pode incentivar violência; defendem gestão ética e prevenção sem abate

Ter cães de gado a guardar os rebanhos é uma forma de melhorar a coexistência com o lobo ibérico
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  • As ONGs Animal e SOS Animal reagiram às declarações de produtores que defendem acabar com a proteção ao lobo ibérico, apresentando uma exposição de urgência às entidades públicas competentes.
  • O movimento, criado após ataques ao rebanho em Santa Maria de Geraz do Lima, em Janeiro, teve o apoio de representantes que classificaram os ataques como “terrorismo” e descreveram o lobo como um “tumor maligno” a extrair.
  • As associações de defesa animal argumentam que esse discurso desumaniza o lobo e pode incitar a violência e a perseguição ilegal contra a espécie.
  • Defendem que o controlo letal não resolve conflitos nem reduz prejuízos a longo prazo, propondo medidas como cães de proteção, vedação, manejo adequado, verificação de ocorrências e compensações rápidas.
  • O lobo ibérico é uma espécie protegida em Portugal, com a proteção prevista na Lei n.º 90/88 e abrangida por convenções internacionais como a Convenção de Berna e a CITES.

O movimento de produtores de gado que defende o fim da proteção ao lobo ibérico ganhou visibilidade após ataques ao rebanho, especialmente em Santa Maria de Geraz do Lima, no concelho de Viana do Castelo. Organizações não-governamentais reagiram de forma firme, considerando o discurso de desumanização perigoso e potencialmente violento.

A Animal e a SOS Animal Portugal apresentaram uma exposição urgente às entidades públicas competentes. O objetivo é alertar para o risco de incentivar a perseguição ilegal desta espécie protegida, que tem o enquadramento legal vigente em Portugal.

Na origem do movimento, está o surgimento de uma petição pública e declarações na imprensa, associadas a ataques a ovelhas. O porta-voz do movimento, Orlando Gonçalves, descreveu os incidentes como ataque de uma agressividade persistente dos lobos.

Contexto e perspectivas das associações

As organizações salientam que descrever o lobo como terrorismo ou como um tumor maligno ultrapassa o debate público sobre políticas, arriscando legitimar violência e ações ilegais. Rejeitam a apresentação de mortes de animais como solução de políticas públicas.

Refere-se também que os conflitos entre lobos e produtores são reais e devem ser tratados com seriedade, rapidez e ferramentas adequadas. Contudo, defendem que o controlo letal não é solução comprovada para reduzir conflitos de forma sustentável.

Medidas de prevenção e gestão ética

As associações apontam métodos eficazes que não envolvem a morte de animais, utilizados na Península Ibérica e em outros contextos. Entre eles estão prevenção no terreno, manejo adequado de rebanhos, cães de proteção, vedações, acompanhamento técnico, verificação de ocorrências e mecanismos de compensação céleres.

Solicitam um esclarecimento público por parte das entidades competentes e o reforço do compromisso estatal com políticas de prevenção e gestão ética de conflitos. Também pedem uma linguagem pública responsável que não fomente violência nem agrave o conflito social.

O lobo ibérico (Canis lupus signatus) é protegido por lei em Portugal, incluindo a Lei n.º 90/88. A proteção abrange todo o território, com restrições ao abate ou captura, salvo exceções específicas. A espécie é também regulada por acordos internacionais como a Convenção de Berna e a Convenção de Washington – CITES.

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