- Eunice Newton Foote (1819-1888) foi uma cientista amadora norte-americana que, em 1856, realizou experiências com gases atmosféricos expostos à radiação solar e concluiu que o dióxido de carbono aquece a atmosfera mais do que o ar, antecipando o efeito estufa.
- O seu trabalho foi apresentado por um colega homem; mais tarde, John Tyndall chegou a conclusões semelhantes, mas Foote ficou amplamente esquecida.
- O apagamento histórico não foi por acaso científico, mas estrutural, refletindo a pouca visibilidade de mulheres na ciência do século XIX.
- Foote publicou, em 1857, o primeiro artigo com autoria feminina nas Proceedings da American Association for the Advancement of Science (AAAS); estes são os únicos trabalhos de uma mulher norte-americana na física publicados antes de 1889.
- O legado de Foote ganha atualidade no debate sobre mudanças climáticas e inclusão de vozes marginalizadas na ciência, num momento em que o IPCC registra avanços na participação feminina entre autores.
Eunice Foote (1819-1888) foi uma cientista amadora norte-americana que, em 1856, realizou experiências com gases atmosféricos expostos ao sol. Usando cilindros de vidro selados, mostrou que o CO2 aquece mais e retém calor do que o ar.
A conclusão foi que uma atmosfera com mais CO2 poderia aquecer o planeta, antecipando o efeito de estufa. Foote apresentou o seu trabalho numa conferência, mas não foi ela quem o leu. Um colega masculino o divulgou.
Esquecimento histórico
A história de Foote insere-se num padrão de invisibilização de mulheres na ciência do século XIX. Excluídas de universidades, tiveram impactos relevantes mas frequentemente atribuídos a homens.
Apesar de ter educação científica, Foote desenvolveu o seu trabalho como amadora, longe das instituições. O seu estudo de 1856 não contou com leitura própria na AAAS, pelo menos a leitura pública não foi da sua autoria.
Legado e reconhecimento atual
Foote publicou artigos pioneiros, incluindo o primeiro texto assinado por uma mulher na AAAS Proceedings (1857). Os seus ensinamentos sobre CO2 antecipam leituras modernas sobre mudanças climáticas e a possível relação com períodos quentes da história geológica.
A recuperação do nome de Foote acontece numa era em que se discute, no domínio científico, o papel das diferentes vozes. Hoje, o IPCC apresenta uma participação feminina expressiva entre autores, mas persiste desigualdade de acesso e visibilidade.
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