- Despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos cardiovasculares aumentou 41% entre 2015 e 2024, passando de 357 milhões de euros para 505 milhões.
- Em 2024, o custo na farmácia comunitária foi de cerca de 466 milhões de euros, enquanto os medicamentos hospitalares somaram 38,8 milhões de euros (7,6% do total).
- A farmácia comunitária representa cerca de 92 a 93% do total da despesa, mantendo-se estável nos últimos dez anos.
- O relatório aponta dois fenómenos: substituição por fármacos mais recentes e mais caros, e envelhecimento da população com maior cronicidade, com aumento de terapêuticas inovadoras a partir de 2021.
- Entre 2017 e 2024, ocorreram 810.776 episódios de internamento por doenças cerebro-cardiovasculares, com custo total de aproximadamente 2,85 mil milhões de euros; o custo por internamento subiu de 3.210 euros para mais de 3.800 euros.
O gasto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos para doenças do aparelho circulatório subiu cerca de 41% entre 2015 e 2024, passando de 357 milhões de euros para cerca de 505 milhões. O relatório da Direção-Geral da Saúde revela este aumento na quarta-feira.
O estudo aponta que a demografia em envelhecimento, o alargamento da prevalência de doenças cardiovasculares crónicas e a maior disponibilidade de terapêuticas contribuíram para o crescimento. A farmácia comunitária concentra a maioria da despesa, entre 92% e 93%, mantendo-se estável ao longo da década.
Despesas em 2024 e desagregação por canal
Em 2024, o custo com medicamentos cardiovasculares dispensados em farmácia comunitária rondou os 466 milhões de euros, enquanto os medicamentos hospitalares representaram 38,8 milhões (7,6% do total).
A fábrica hospitalar mantém uma participação estável no peso total, com pequenas oscilações entre 2018 e 2020; a subida mais acentuada ocorreu a partir de 2021, associada à recuperação da atividade assistencial pós-pandemia e à introdução de terapêuticas inovadoras, especialmente para insuficiência cardíaca e prevenção secundária.
Tendências de fundo e perfil de custo
A análise a longo prazo mostra dois fenómenos complementares: a substituição por fármacos mais recentes, mas de maior custo unitário, e o envelhecimento populacional que prolonga o tratamento e aumenta o número de doentes medicados.
Os medicamentos para doenças cérebro-cardiovasculares continuam entre as maiores parcelas da despesa farmacêutica pública, destacando a necessidade de otimizar a prescrição e reforçar a adesão terapêutica para traduzir investimento em ganhos de saúde e reduzir eventos evitáveis.
Despesas com internamento e custo por episódio
Entre 2017 e 2024, foram faturados 810.776 episódios de internamento com diagnóstico principal nesta área, totalizando cerca de 2,85 mil milhões de euros para o SNS. Os episódios reduziram 20,3%, mas o custo total caiu apenas 5,6%.
O custo médio por internamento aumentou de 3.210 euros para mais de 3.800 euros, um aumento de 18,3%, refletindo maior gravidade clínica e uso intensivo de diagnóstico e terapêutica durante internamentos, sobretudo em insuficiência cardíaca, síndromes coronárias agudas e doenças cerebrovasculares.
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