- A perda de biodiversidade é vista como risco sistémico para a economia global e a estabilidade financeira, com alerta para extinção de empresas se não houver ação transformadora.
- A Agência Europeia do Ambiente estima que 72% das empresas na Europa dependam da natureza para as suas atividades.
- Em 2023, o financiamento público relacionado com impactos negativos na natureza foi de cerca de 7,3 biliões de dólares, enquanto apenas 220 mil milhões de dólares de financiamento privado foram canalizados para atividades de proteção da natureza.
- Menos de 1% das empresas públicas divulgam os impactos negativos que causam à biodiversidade.
- Os setores mais expostos à perda de biodiversidade incluem construção, alimentação, farmacêuticas e infra-estruturas; mudanças políticas e culturais são necessárias para tornar as empresas mais resilientes e sustentáveis.
A perda de biodiversidade já é considerada um risco sistémico para a economia global e a estabilidade financeira. Cientistas de um grupo internacional sobre a biodiversidade destacam que, sem ações transformativas, as empresas podem enfrentar extinção económica.
O relatório, divulgado nesta segunda-feira pela IPBES, aponta que muitos negócios dependem direta ou indirectamente de recursos naturais, água e serviços ecossistémicos, mesmo que não o reconheçam. A dependência varia entre sectores e geografias.
Apesar da evidência, muitos custos da degradação ambiental não são pagos pelas empresas. Ao mesmo tempo, o financiamento que beneficia a natureza representa volumes menores, apesar de contínuos fluxos públicos e privados.
O estudo associa obstáculos a avanços a incentivos inadequados, aplicação fraca de leis e lacunas de dados significativas. Em 2023, o apoio financeiro público foi de cerca de 7,3 biliões de dólares, com apenas 220 mil milhões em financiamento privado para conservação.
Entre os setores mais expostos estão construção, alimentação, produtos farmacêuticos e infraestruturas, adianta a análise da Zero Carbon Analytics. A cadeia de abastecimento permanece vulnerável a choques ambientais.
Alguns responsáveis empresariais já defendem que gestão de risco e resiliência devem guiar estratégias. No entanto, a integração da natureza na governação corporativa ainda é fraca em muitos casos.
Segundo a IPBES, a perda de biodiversidade pode tornar-se um fator económico decisivo, com impactos cumulativos que afetam o planeamento de negócios e a estabilidade de mercados globais.
Caso as empresas atuem rapidamente, definindo objetivos claros e monitorizando resultados, há espaço para ações transformativas que protejam a natureza e melhorem rentabilidade, sugerem os pesquisadores.
Seguir uma trajetória de negócios conscientes pode evitar consequências negativas para espécies e também para as próprias empresas, dizem os cientistas, em defesa de políticas públicas, inovação e financiamento adequado.
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