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Brasileiros procuram em arquivo português provas de posse de terras

Brasileiros recorrem ao Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal para obter provas de posse de terras concedidas na época colonial, agora digitalizadas

Brasileiros em Portugal
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  • O Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) de Portugal guarda cerca de 17 quilómetros de documentação sobre as relações entre Portugal e antigas colónias, incluindo o Brasil.
  • Brasileiros continuam a consultar o AHU em busca de provas de concessões de sesmarias, o sistema de distribuição de terras no século XVI, para fins de litígio ou de confirmação de propriedade.
  • O acervo do Brasil fica nas instalações do AHU, em Lisboa, e integrou o Projeto Resgate Barão do Rio Branco, que catalogou e reproduziu documentos históricos até à independência, em 1822.
  • A digitalização tornou as imagens acessíveis online, aumentando a consulta e impulsionando teses e pesquisas de universidades brasileiras e portuguesas desde 2014.
  • A responsável Ana Canas afirma que este trabalho ajuda o Brasil a conhecer-se melhor e que a documentação faz parte da memória e da identidade partilhadas entre Portugal e os territórios coloniais.

O Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) de Portugal continua a ser consultado por brasileiros que procuram provas de que são proprietários de terras no Brasil, documentos vinculados à distribuição feita pelos portugueses há cerca de cinco séculos. O AHU reúne, no seu conjunto, vestígios da relação entre o Brasil e a administração colonial portuguesa.

As fontes oferecem registos da concessão de sesmarias, um sistema do século XVI em que terras eram atribuídas a sesmeiros para ocupação e produção. A documentação pretende mostrar a origem fundiária e o vínculo com a Coroa, útil para litígios ou confirmação de posse.

O arquivo, criado em 1931 para salvaguardar os repositórios da administração colonial, acumula cerca de 17 quilómetros de documentação. Regista o relacionamento entre as antigas colónias portuguesas e os organismos sediados em Lisboa.

O acervo e a disponibilidade

O acervo do Brasil fica nas instalações do AHU, instalado no Palácio do Ega, em Lisboa. O projeto Resgate Barão do Rio Branco visa catalogar e reproduzir documentação histórica manuscrita referente ao Brasil até 1822, incluindo a independência.

Ao todo, o AHU alberga mais de 300.000 documentos relativos ao Brasil, distribuídos em cerca de 2.000 caixas. Parte do material já está disponível digitalmente, potenciando o acesso sem deslocação física.

A série Reino do Conselho Ultramarino inclui, por exemplo, uma correspondência de 1748 entre o governador da ilha de Santa Catarina e o rei Dom João V, referindo a chegada de casais açorianos e madeirenses e o papel das mulheres na colonização.

Impacto e frentes de investigação

O tratamento digital da documentação facilita a consulta. Entre 2014 e o presente, o acervo permitiu um incremento robusto de pesquisas, com participação de diversos centros de estudo brasileiros e portugueses.

Investigadores brasileiros passaram a recorrer mais ao AHU, com teses e estudos sobre aspetos sociais, económicos e políticos do Brasil. A digitalização reduziu a necessidade de viagens e acelerou o estudo da matéria.

A documentação disponível contribui para compreender a história comum de Portugal e do Brasil, bem como as dinâmicas de memória e identidade associadas. O AHU mantém o arquivo como referência central para o legado colonial.

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