- Um estudo internacional mostra que a ciberviolência de cariz sexual afeta desproporcionalmente raparigas e mulheres, com envio não consentido de imagens íntimas e ameaças entre as formas mais comuns.
- As raparigas são alvo de violência online de cariz sexual, enquanto nos rapazes predomina insultos e discursos de ódio; a violência inclui também pedidos ou divulgação não consentida de conteúdos íntimos.
- Os impactos são profundos na autoestima, saúde mental e desempenho escolar, bem como no bem‑estar e segurança das jovens.
- A autoria recai principalmente sobre rapazes e homens, sobretudo ex-namorados ou colegas, havendo também casos entre raparigas em contextos de conflito interpessoal.
- O relatório defende intervenções urgentes, criação de serviços de apoio, melhores mecanismos de recolha de dados por sexo e idade, formação de forças de segurança e tribunais, e aceleração da transposição da diretiva europeia sobre crimes de violência digital.
A ciberviolência sexual afeta desproporcionalmente raparigas e mulheres, com impactos na autoestima, saúde mental e desempenho escolar. O estudo internacional divulgado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) aponta uma clara diferença de género no tipo de violência online a que rapazes e raparigas são expostos.
De acordo com o relatório, as situações dirigidas a rapazes concentram-se em insultos e discursos de ódio, enquanto as raparigas são alvo de formas de violência com cariz sexual. Estas incluem ameaças, chantagens, envio não solicitado de mensagens ou imagens íntimas, sobretudo de genitais de homens adultos.
Os resultados mostram que a violência online afeta as raparigas desde muito cedo, com consequências profundas na autoestima, saúde mental, bem-estar e desempenho académico. A autoria recai principalmente sobre rapazes e homens, especialmente ex-namorados ou colegas.
A violência digital e a violência no mundo real surgem interligadas, com o acesso facilitado à internet a facilitar estas dinâmicas abusivas. O estudo relata ainda que muitos jovens se sentem informados, mas há banalização dos efeitos e subestimação das consequências.
Os rapazes tendem a desvalorizar com mais frequência as situações de ciberviolência, enquanto as raparigas enfrentam maior gravidade e repetição de violações. As causas apontadas incluem anonimato, insegurança, desejo de autoafirmação, inveja e vingança.
Propostas de intervenção
O relatório defende serviços especializados de apoio a sobreviventes, dados desagregados por sexo e idade, e considerar a pornografia como forma grave de violência contra raparigas. Reforçar formação de forças de segurança, judiciais e técnicos é recomendado.
Sugere ainda tratar denúncias com celeridade, criar linhas de apoio sensíveis ao sexo e à idade, e avançar com a transposição ambiciosa da diretiva europeia que tipifica crimes de violência digital na UE.
O estudo intitula-se A ciberviolência com base no sexo em Portugal: Perspetivas de crianças e jovens, escolas e forças de segurança. Será apresentado em Lisboa, no âmbito do projeto europeu bE_SAFE, envolvendo Croácia, Espanha e Portugal.
Em Portugal, o trabalho abrange as regiões da Grande Lisboa, Alentejo e Centro, e visa consciencializar para a complexidade da violência online dirigida a jovens. As entidades envolvidas destacam a necessidade de ações integradas.
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