- Em 2025, cinquenta e sete homens recorreram à associação Quebrar o Silêncio, que apoia vítimas de violência sexual masculina, contra apenas uma queixa em 2024, segundo a instituição.
- A associação descreve dois perfis de vítimas: jovens com vida ativa online e homens acima de cinquenta, muitas vezes divorciados ou viúvos, mais vulneráveis a explorar.
- Há relatos de pagamentos de quase vinte mil euros antes de pedir ajuda, indicando um aumento alarmante de casos.
- Um caso envolve um homem de 63 anos contactado por uma jovem no Facebook, que enviou fotos e vídeos, e acabou pressionado por alegada autoridade policial estrangeira a pagar 1.500 euros.
- O conselho é claro: não pagar, não enviar mais conteúdo, guardar provas e apresentar queixa às autoridades, bloqueando o contacto assim que possível.
O correio de casos de extorsão sexual dirigido a homens registou um aumento significativo em 2025. A associação Quebrar o Silêncio relata 57 casos, contra apenas uma queixa no ano anterior, destacando uma mudança de cenário na violência sexual direcionada a homens.
O grupo indica que os casos ocorrem maioritariamente entre homens já afastados da vida conjugal e com presença activa nas redes sociais. Viúvos e divorciados mostram-se especialmente vulneráveis a pedidos de dinheiro e à chantagem.
Tiago, de 32 anos, foi uma das vítimas. Iniciou a conversa com alguém que parecia uma mulher numa rede social, trocou fotos e vídeos, e descobriu que o interlocutor era um homem que passou a exigir dinheiro. Ameaças multiplicaram-se.
O relato mostra ainda a criação de grupos de mensagens com familiares, amigos e colegas de trabalho, enquanto as mensagens não paravam. A vítima descreve um bombardeio de pressão para pagar ante a perspetiva de revelação de conteúdo.
Segundo o fundador e diretor técnico da Quebrar o Silêncio, Ângelo Fernandes, o peso do fenómeno é elevado: houve quem pagasse perto de 20 mil euros antes de pedir ajuda à associação.
Aumento alarmante
A instituição aponta que a maioria das vítimas tem entre 30 e 50 anos. Os jovens com vida online ativa também surgem nos casos, mas a aposta de exploração recai muitas vezes sobre a fragilidade de quem está isolado.
Um caso relevante envolveu um homem de 63 anos contactado por alguém que se fez passar por uma jovem no Facebook. Enviou conteúdos pessoais, foi pressionado com alegações de pedofilia e confrontado com uma alegada participação policial estrangeira.
O conselho da associação é claro: não pagar, não enviar novas imagens ou vídeos e conservar provas para apresentação às autoridades. A orientação é bloquear o contacto e recorrer aos canais de denúncia.
A Quebrar o Silêncio sublinha a necessidade de apoio e de formação para identificar sinais de chantagem online. A mensagem é de prevenção, com foco na denúncia precoce para travar dinâmicas de violência.
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