- Em 2025, a associação Quebrar o Silêncio registou um recorde de pedidos de ajuda, com 67 casos de extorsão sexual, sendo 51 com vítimas do sexo masculino, um aumento de 5.000% face ao ano anterior.
- A extorsão sexual representou cerca de um terço dos contactos recebidos; os casos costumam começar em ambientes digitais, com perfis falsos que se passam por mulheres, culminando em chantagem após partilha de imagens.
- Vítimas já pagaram montantes de 3.000, 6.000, 15.000 e até 20.000 euros; muitas vezes não há denúncia às autoridades, porque os perfis são falsos e podem estar noutros países.
- Em 2025, a associação registou 165 queixas: 74 abusos sexuais de menores, 67 importunação sexual, 13 violações e tentativas, 6 casos de perseguição/coação/assédio e 5 de violência doméstica; a idade média das vítimas foi de 38 anos.
- Embora a maioria dos casos envolva agressores desconhecidos, quando é possível identificar o sexo do agressor, 65% eram homens e 35% mulheres; os abusos ocorrem maioritariamente online, mas também podem acontecer presencialmente.
A associação Quebrar o Silêncio, que apoia homens vítimas de violência sexual, regista o maior número de pedidos de ajuda em 2025. O ano foi marcado pelo crescimento da extorsão sexual e pelo aumento de relatos de abusos sexuais na infância. O fenómeno é sobretudo online.
Em 2025, a associação acompanhou 67 casos de crimes, dos quais 51 envolvem vítimas do sexo masculino. Isto representa um aumento de 5000% face a 2024, quando apenas um homem procurou apoio por extorsão sexual. O conjunto dos pedidos de ajuda incluiu a maior parte de abusos nessa área.
O método mais comum envolve perfis falsos em redes sociais, com conversas sexualizadas que ganham dimensão de chantagem. Vítimas recebem propostas de encontros virtuais e depois são pressionadas a pagar. Valores pagos variam entre 3000 e 20 000 euros.
A título ilustrativo, o fundador descreve casos em que o pagamento ocorreu rapidamente, por exemplo durante uma pausa de almoço. O estopim surge após a vítima enviar uma foto ou vídeo, ficando o agressor na posição de exigir mais dinheiro sob ameaça de divulgação.
A associação assinala que o aumento não se deve apenas à maior sensibilização. Relatórios nacionais e internacionais indicam que os crimes online crescem desde a pandemia, com abusadores atuando à distância e fingindo identidades. O fenômeno permanece sobretudo fora de Portugal, dificultando a denúncia às autoridades.
A extorsão sexual envolve imagens, vídeos ou informações íntimas usadas para pressionar a vítima. Normalmente inicia-se em ambientes digitais e evolui para plataformas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, onde a repressão continua.
A Quebrar o Silêncio registou 165 queixas por crimes relacionados com violência sexual. Destes, 74 são de abuso sexual de crianças ou menores, 67 de importunação sexual, 13 de violação ou violação na forma tentada, 6 de perseguição ou coação sexual e 5 casos de violência doméstica. O abuso infantil continua a ocorrer também dentro de casa ou na escola.
Entre as vítimas, a idade média é de 38 anos, com registos desde os 14 até aos 70. A associação destaca que a violência não é exclusiva de uma faixa etária, desmentindo estereótipos sobre quem pode ser vítima.
Quanto aos agressores, os dados disponíveis indicam que, quando o sexo é identificável, 65% são homens e 35% mulheres. A maioria dos casos de extorsão envolve desconhecidos, por vezes residentes noutros países, o que complica as denúncias às autoridades.
Apesar de a esmagadora maioria ocorrer online, há relatos presenciais em que a vítima mantém uma relação de intimidade com o agressor. Casos isolados envolvem parceiros ou conhecidos que utilizam as imagens para pressionar pagamento.
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