- Catarina Albuquerque, product specialist da Nordea Asset Management, afirma que a transição climática vai além das renováveis, destacando o papel de empresas intensivas em carbono que descarbonizam processos e lideram a transformação industrial.
- O investimento sustentável evoluiu de exclusões para integração de fatores ESG, passando a influenciar diretamente indicadores financeiros e oportunidades de crescimento.
- Fundos especializados e investidores institucionais têm papel central na aceleração da transição, buscando estratégias que promovam mudanças reais no mundo.
- A regulação europeia aumenta o escrutínio e ajuda a evitar greenwashing, com SFDR, diretrizes da ESMA e o SFDR 2.0 em discussão; a Nordea já alinhava os seus fundos às exigências.
- O Climate Transition Engagement Fund foca no diálogo ativo com as empresas e em metas mensuráveis (milestones), apontando setores promissores como resiliência climática, produção de energia renovável e indústrias intensivas, como aço e cimento, que têm inovação em captura de carbono.
A transição climática está a alterar as estratégias de investimento, já para além das energias renováveis ou de empresas com emissões mais baixas. Catarina Albuquerque defende que o impacto maior reside nas empresas intensivas em carbono que investem na descarbonização dos processos e na transformação industrial.
A product specialist da Nordea Asset Management explica, numa entrevista ao SAPO, como os investidores avaliam risco e retorno nesta era de mudanças, o papel da regulação europeia e os sectores com maior potencial nos próximos anos.
A descarbonização já não é um tema marginal. Albuquerque sustenta que o investimento sustentável evoluiu de exclusões para integração de fatores ESG, influenciando decisões em gestão de fundos e estratégias de investimento.
Para os fundos especializados, o papel é determinante na aceleração da transição energética, especialmente junto de investidores institucionais de longo prazo que procuram impacto real no mundo.
Regulação e credibilidade dos produtos ESG
A responsável descreve a progressiva adoção de mecanismos regulatórios, desde o SFDR de 2019 às novas guidelines da ESMA em 2024 e ao SFDR 2.0 em análise para 2028, para reduzir o greenwashing e melhorar a rastreabilidade.
Na Nordea, a adaptação aos requisitos regulatórios foi mais natural, já que a casa mantém uma forte tradição em ESG, o que facilita a comunicação e a consistência entre fund management e objetivos de investimento responsável.
Engajamento ativo como diferencial
O Climate Transition Engagement Fund é apresentado como exemplo central da estratégia: o diálogo com empresas, voto em assembleias e objetivos de descarbonização visam criar valor sustentável a longo prazo.
A abordagem combina métricas como alinhamento com o Acordo de Paris, metas de descarbonização e evolução das emissões, com milestones que monitorizam o progresso de cada empresa investida.
O objetivo é que o envolvimento ativo se traduza em melhoria real do comportamento corporativo e, por consequência, na valorização das ações investidas.
Setores promissores e desafios
Entre os setores com maior potencial, destacam-se a resiliência climática, a produção de eletricidade a partir de renováveis e indústrias intensivas em carbono que inovam, como o aço, o ferro e o cimento, sobretudo na Europa.
A especialista aponta que tecnologias de captura de carbono e produtos de eficiência energética podem tornar estas indústrias mais competitivas e menos emissoras, criando oportunidades de investimento com retorno viável.
Como mede o sucesso do investimento
A monitorização ocorre através de vários indicadores, com ênfase na criação de valor para a empresa investida e no impacto real da transição.
O exemplo do cimento ilustra a estratégia: tecnologias de captura de carbono permitem produtos com emissões líquidas zero, possibilitando preço premium e maior rentabilidade para quem investe.
Proposta de valor e diferenciação
O Nordea One Global Climate Transition Engagement Fund distingue-se por investir em empresas subvalorizadas ou mal compreendidas, com potencial de descarbonização real, em vez de apenas olhar para setores já baixos em emissões.
A equipa enfatiza que o cimento e materiais essenciais à transição devem ser alvo de inovação e comunicação eficaz para que o mercado reconheça o valor da descarbonização.
Perguntas frequentes dos investidores
Entre as dúvidas, destacam-se a importância da eficiência energética, o papel das energias renováveis e a necessidade de descarbonizar indústrias mais difíceis, com as empresas a investir em tecnologias que reduzem custos e emissões.
A visão é que descarbonizar Não significa sacrificar retornos: a combinação entre ganhos econômicos e objetivos climáticos é apresentada como o caminho para uma transição mais sustentável e rentável.
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