- Patricia Hayes é uma académica sul-africana que estuda a história africana e as suas representações visuais ao longo de tempos coloniais e pós-coloniais.
- Na década de oitenta para noventa, recolheu relatos de tradição oral no Norte da Namíbia e no Sul de Angola sobre guerras entre os portugueses e o povo Ovambo, em especial os Cuamato.
- Em Luanda, viu o Álbum Cuamato, composto por fotografias tiradas pelo major José Veloso de Castro, que documenta a campanha de retaliação de 1907 contra os Cuamato, após a derrota de 1904.
- O interesse levou-a a estudar a obra fotográfica de Veloso e Castro no contexto da história da representação visual na Namíbia, resultando no livro The Colonising Camera (1998) e no doutoramento em Cambridge; é hoje professora catedrática na Universidade do Cabo Ocidental.
- Hayes defende que a exposição sobre Veloso e Castro, no Museu Militar, pode contribuir para contrariar a afasia colonial em Portugal.
Patricia Hayes, historiadora sul-africana, defende que a discussão sobre José Veloso de Castro deve ser debatida. A perspetiva surge de uma vida dedicada à história africana e às suas imagens entre épocas coloniais e modernas.
Durante a transição dos anos 1980 para os 1990, Hayes recolhia memórias orais na Namíbia e em Angola sobre conflitos entre portugueses e Ovambo, especialmente os Cuamato. Em Luanda, viu o Álbum Cuamato, com fotos de Veloso de Castro.
As fotografias mostraram-se uma “reportagem” de retaliação militar de 1907, após a vitória Cuamato de 1904. Hayes passou a explorar arquivos fotográficos e a sua relevância para a história da visualidade na Namíbia.
Exposição, arquivo e diálogo histórico
A professora da Universidade do Cabo Ocidental (UCO) tem destacado a importância de compreender imagens coloniais no âmbito da História Visual. O estudo resultou em The Colonising Camera (1998) e no seu doutoramento em Cambridge.
Hayes, nascida no Zimbabwe, lidera a cátedra de História Visual e Teoria no Centro de Investigação em Humanidades da UCO. A especialista analisa a exposição no Museu Militar sobre Veloso de Castro, já visitada, como ferramenta para desafiar visões da era colonial em Portugal.
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