- Eva Lau lança o livro Não Basta Fechar a Boca, que desmonta mitos sobre obesidade e defende uma abordagem científica, humana e sustentável para perder peso.
- A investigação da médica sugere que entre quarenta a setenta por cento da tendência para ganhar peso tem origem genética, com ambiente e comportamento a modularem esse risco.
- O livro desafia a ideia de que basta fechar a boca, destacando o papel do apetite, da biologia, das emoções e do contexto na obesidade.
- O estigma associado à obesidade persiste na linguagem, nas consultas e nas redes sociais, aumentando ansiedade, depressão e evitamento de cuidados de saúde.
- A autora propõe estratégias realistas, incluindo gestão do apetite, metas alcançáveis, alimentação acessível e responsabilidade individual, sem recorrer a dietas restritivas nem soluções rápidas.
A médica endocrinologista Eva Lau apresenta uma perspetiva diferente sobre a obesidade, afastando-se de dietas rápidas e modas. Em Não Basta Fechar a Boca, ela propõe uma abordagem científica, humana e sustentável para perder peso com saúde e sem culpa.
O livro, publicado pela Contraponto, destila a sua experiência clínica e académica. Nele, Eva Lau explica o funcionamento do apetite, a prevenção do efeito ioiô e a definição de objetivos realistas para cada pessoa, independentemente da genética.
A autora insiste numa leitura integrada da obesidade: biologia, ambiente e emoções. Assinala que a ciência não recomenda soluções milagrosas, mas mudanças gradativas com fundamentação médica.
Livro e proposta
A Dieta não é o único foco. O livro ensina a reconhecer o papel do apetite, a evitar o tratamento estigmatizante e a adotar metas alcançáveis. A ideia é promover escolhas diárias que favoreçam a saúde.
Eva Lau, formada em Medicina pela Universidade de Coimbra, afirma que a obesidade é uma doença complexa. O volume enfatiza o suporte contínuo, a educação alimentar e a relação equilibrada com a comida.
A autora também aborda a relação entre microbiota intestinal e metabolismo. Demonstra que uma dieta rica em gordura pode alterar a flora, elevando o risco de resistência à insulina.
Genética e responsabilidade
O livro aponta que a genética explica entre 40% e 70% da propensão ao peso. Contudo, não determina o destino: o ambiente e os hábitos também influem, abrindo espaço para intervenção individual.
O tema da responsabilidade é abordado sem culpa. Cada pessoa parte de um ponto diferente, exigindo ferramentas personalizadas para avançar na saúde, não apenas no número da balança.
Estigma e mídia
O estigma permanece presente na linguagem, em consultas e nas redes. A consequência é a ansiedade, a depressão e a insegurança que dificultam o acesso a cuidados médicos.
A autora critica a exposição de promessas fáceis. Ela defende informação baseada em evidência e uma comunicação que trate as pessoas com respeito, sem culpas desnecessárias.
Apetite e consulta
O trabalho com o apetite envolve compreender o que ativa a fome: stress, vivências, hábitos. Em consulta, a abordagem é ouvir, diagnosticar causas e promover uma relação mais consciente com a comida.
A gestão do apetite não se reduz a contagem de calorias. O objetivo é entender o porquê da fome, para sustentar mudanças duradouras e melhorar a qualidade de vida.
Alimentação acessível
A autora reconhece os obstáculos económicos e geográficos à alimentação saudável. Propõe planeamento simples, leguminosas, ovos, vegetais da época e menos produtos ultraprocessados.
Sugere leitura de rótulos, refeições caseiras e reutilização de sobras. Evita soluções caras, defendendo políticas públicas que promovam educação alimentar desde cedo.
Mudança na comunicação
Se pudesse alterar apenas uma coisa, seria reduzir o julgamento nos media. Substituir a culpa por empatia, promover ciência e apoiar quem procura tratamento adequado.
A transformação na forma de falar sobre obesidade, segundo o livro, facilita a adesão a cuidados médicos e fomenta um country mais saudável, em todos os sentidos.
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