- Os incêndios na Patagónia já devastaram uma área superior ao dobro do tamanho de Buenos Aires, com foco atual em Chubut.
- O Governo declarou estado de emergência nas províncias de Chubut, Rio Negro, Neuquén e La Pampa para facilitar o reenvio de fundos de combate às chamas.
- Em Chubut já foram destruídos mais de 44.515 hectares; dados do Copérnico apontam para os piores incêndios dos últimos vinte anos e emissões de CO₂ em janeiro muito acima da média.
- O Orçamento de 2026 da Argentina reduziu em setenta e um por cento os recursos do Serviço Nacional de Gestão de Incêndios; o Ministério da Segurança anunciou cerca de 69 milhões de dólares para combate.
- Milei já chamou as alterações climáticas de “mentira socialista”; o governo pondera abandonar o Acordo de Paris, enquanto organizações como a Greenpeace criticam a posição.
Os incêndios florestais na Patagónia continuam a devastar a região, com o fogo já a consumir áreas superiores ao dobro do tamanho de Buenos Aires. As chamas intensificaram-se face a temperaturas elevadas, ventos fortes e défice de chuva que persiste há 15 anos. O sul argentino está em estado de emergência.
O foco dos combates está na província de Chubut, onde os bombeiros enfrentam condições extremas. O governo local informou que já foram destruídos mais de 44 515 hectares de floresta, desde o início da temporada em Dezembro. Verão seco agrava a situação.
O Governo argentino declarou estado de emergência nas províncias de Chubut, Rio Negro, Neuquén e La Pampa para libertar fundos de forma mais célere. A medida visa financiar ações de combate às chamas e prevenção, com um reforço de meios humanos e materiais.
Balanço orçamental e críticas
Dados do programa Copérnico apontam para que estes incêndios na Patagónia sejam os piores dos últimos 20 anos. As emissões de CO2 entre Janeiro e hoje elevam-se perto de 1,6 milhões de toneladas, acima da média histórica.
O orçamento de 2026 da Argentina sofreu cortes significativos para o Serviço Nacional de Gestão de Incêndios, com uma redução real de 71% face ao ano anterior, segundo a ONG FARN. O grupo classifica as medidas como prejudiciais à prevenção e resposta a incêndios.
O Ministério da Segurança anunciou a alocação de aproximadamente 69 milhões de dólares para apoiar o combate aos incêndios. As críticas concentram-se na redução de recursos para emergências, associadas a uma política orçamental descrita por opositores como agressiva.
Contexto climático e posições oficiais
O presidente Javier Milei tem repetidamente classificado alterações climáticas como uma mentira socialista, gerando críticas de entidades ambientais. O Governo também considera a possibilidade de abandonar o Acordo de Paris, alinhando-se a posições políticas de aliados internacionais.
Para organizações ambientais, a aposta em um orçamento equilibrado a todo o custo pode comprometer a capacidade de resposta a desastres naturais, com impacto nas comunidades locais e na biodiversidade Patagónica. A área queimada já supera os 32 mil hectares registados na temporada anterior.
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