- Uma comissão parlamentar de inquérito vai investigar alegações de uso de substâncias químicas perigosas, como mercúrio, na mineração de ouro em Manica, Moçambique.
- Em 2024, Manica respondeu por 65% da produção nacional de ouro, totalizando 886 quilos no país; há suspeitas de que parte do ouro seja extraída de forma irregular sem registo.
- Em setembro de 2025, o Governo suspendeu totalmente a atividade mineira na província devido à mineração ilegal e à falta de planos de recuperação ambiental.
- A investigação visa averiguar impactos na poluição dos recursos hídricos e na saúde pública, com foco na albufeira de Chicamba e nos distritos que lhe fornecem água.
- O relatório final da comissão deve ser apresentado até fevereiro de 2026; a suspensão das licenças veio após avaliação de mineração descontrolada, com empresas sem planos de recuperação ambiental.
Uma comissão parlamentar de inquérito formada pela Assembleia da República de Moçambique vai averiguar o uso de substâncias químicas perigosas na mineração em Manica, centro do país. O foco inicial são alegações sobre mercúrio e outros químicos na exploração mineira.
A resolução n.º 90/2025 afirma que Manica, especialmente os distritos de Manica, Sussundenga, Báruè, Macossa e Gondola, tem visto aumento da mineração de ouro com uso de substâncias tóxicas. A poluição dos recursos hídricos é destacada como risco à saúde pública.
Dados oficiais apontam que Manica é a principal região produtora de ouro, representando cerca de 65% da produção nacional em 2024, segundo o INAMI. Em 2024, Moçambique totalizou 886 quilos de ouro, com 577 quilos extraídos em Manica.
Em 2025, o Governo moçambicano suspendeu as atividades mineiras na província por irregularidades e falta de planos de recuperação ambiental. A suspensão reduziu a turbidez da albufeira de Chicamba em mais de 50%, segundo relatos oficiais.
A comissão, composta por nove deputados, deverá apurar factos sobre o uso de mercúrio e cianeto na mineração industrial e artesanal e os impactos na poluição das águas e na saúde. O relatório final está previsto para fevereiro de 2026.
A investigação também poderá avaliar os efeitos da atividade mineira nos recursos hídricos que alimentam Chicamba, e o seu impacto em comunidades como Chimoio, Manica, Gondola e Messica. A resolução abre espaço para alargamento geográfico, se necessário.
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