- A DPOC pode desenvolver-se ao longo da vida e iniciar-se antes dos 40 anos, não sendo exclusiva de fumadores nem de idosos; fatores ambientais, ocupacionais, infeções na infância e genética também influenciam.
- Um estudo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), com apoio da GSK, vai mapear a prevalência real da DPOC em Portugal com uma amostra de 9 mil participantes no território continental.
- O estudo inclui adultos a partir dos vinte anos para identificar o pico de função pulmonar e trajetórias precoces, promovendo prevenção e deteção precoce.
- A DPOC é a quarta causa de morte a nível mundial e a quinta em Portugal; mais de setenta por cento da população portuguesa não conhece a doença.
- A ausência de dados epidemiológicos nacionais tem limitado a compreensão da prevalência, gravidade e grupos de risco, dificultando o planeamento de políticas de saúde e distribuição de recursos.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é objeto de um estudo nacional lançado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) com o apoio de parceiros, em Portugal continental. A iniciativa pretende mapear a verdadeira dimensão da DPOC no país, incluindo casos não diagnosticados. O estudo envolve 9 000 participantes e centra-se na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, mirando uma intervenção mais efetiva no sistema de saúde.
O presidente da SPP, Prof. Doutor Jorge Ferreira, explica que a DPOC não afeta apenas fumadores ou idosos. A doença pode iniciar-se antes dos sintomas, em diversas etapas da vida, e resulta de múltiplos fatores, como poluição, fumo passivo, exposições profissionais e fatores genéticos. O objetivo é mudar a perceção pública e médica sobre o tema.
Este estudo representa uma resposta à falta de dados epidemiológicos robustos em Portugal sobre a DPOC. Até agora, não havia um inquérito nacional abrangente que permitisse conhecer a prevalência real, grupos de risco subdiagnosticados e a gravidade da doença no território nacional.
Abrangência e objetivos
A investigação, desenvolvida pela SPP e apoiada pela indústria farmacêutica, cobre todo o território continental. Entre os objetivos está estabelecer uma estimativa sólida da prevalência da DPOC por idade, sexo e gravidade, bem como identificar trajetórias de função pulmonar em adultos jovens, não apenas em idosos.
A inclusão de pessoas com menos de 40 anos é uma inovação do estudo. Adultos a partir dos 20 anos permitem detetar alterações precoces na função pulmonar, fatores de risco modificáveis e potenciais janelas de intervenção precoce para atrasar o desenvolvimento da doença.
Especialistas destacam que a função pulmonar atinge o pico entre os 20 e 25 anos. Se esse pico for inferior ao esperado, o risco de DPOC aumenta, mesmo sem tabagismo. O investigador sublinha que a DPOC pode ter origem em fatores pré-sintomáticos ao longo de décadas.
Espera-se que os dados recolhidos contribuam para políticas de prevenção mais eficazes, melhoria do diagnóstico e uma gestão mais eficiente de recursos. Além de beneficiar a saúde pública, o estudo poderá influenciar a vigilância de populações vulneráveis e a resposta a outras doenças respiratórias, como a asma.
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